Ajudar quem precisar

Estamos vivendo em momentos difíceis.


Eu queria muito ter parado de falar de covid e voltar a temas mais leves em setembro no ano passado, mas não está sendo possível. É 2020 tudo de novo.

E por causa disso precisamos ainda mais nos ajudar. Quem puder ajudar quem precisar.

Será que em um ano não aprendemos nada? No começo da pandemia muitas instituições e organizações se movimentaram para ajudar quem não tinha o básico para a sobrevivência e higiene. E depois, com muito atraso, veio o auxílio emergencial. Vi amigos e pessoas próximas tendo uma esperança de não terem que pedir comida por causa do auxílio.

Agora, em 2021, temos uma variante mais letal, uma piora nos casos e mortes, e sem auxílio emergencial. É por isso que precisamos nos ajudar.


Esses dias passou em casa um senhor vendendo salgados em uma caixa de isopor. Ele disse que a esposa fazia. Perdeu o emprego, e estava ali no sol de meio dia vendendo salgados para manter a renda. Eu, que não perdi o emprego (pelo menos por enquanto) pude ajudar. Os salgados são deliciosos. O sentimento de ajudar é indescritível.

Esse senhor ainda pôde juntar alguns recursos, a esposa faz salgados. Muitos sequer estão tendo a chance de se organizar pra trabalhar com algo e manter sua dignidade.

Se você pode ajudar, comprando de quem está passando em sua porta, ou em algum ponto da cidade, faça isso. É tempo de ajudar quem precisar. Não vamos sair dessa sozinhos.

Nova Variante da Burrice

Uma nova variante de burrice foi detectada, e pode estar circulando a mais tempo do que imaginamos no Brasil.

Especialistas em retórica, história e sociologia detectaram por meio de pesquisas no Facebook e Twitter uma nova variante de burrice circulando no Brasil. A patologia já recebeu diversos nomes, mas está sendo catalogada entre os fenômenos sociais como “tiresuaspropriasconclusõesismo“.

Conversamos com o sociólogo e professor da universidade de Campinas, Fernando Almeida, que tem mais a nos dizer sobre esse tipo tão específico de burrice. Ele diz “É uma variante muito perigosa por ser mais transmissível. Veja só, um famoso que é burro e acredita em uma teoria da conspiração pode acabar transmitindo a burrice dele para outras milhares de pessoas. E se ele é famoso, tem mais seguidores, consequentemente tem mais credibilidade nas redes sociais. E assim seus seguidores, na maioria tão burros quanto eles, acabam replicando sua burrice para as entranhas da internet“.

O historiador José Cardoso Neto diz já ter precedentes na humanidade, mas a nova variante tem se provado ainda mais perigosa. “Antes um doido gritando na praça era só um doido. Agora as pessoas se juntam em grupos e hashtags pra discutir conspirações. E pra elas, todas essas conspirações são reais. Todos querem acreditar que o governo ou as grandes organizações estão escondendo coisas de você. Eles só querem o seu dinheiro” diz o professor.

Infelizmente o panorama não é muito otimista. A nossa equipe de reportagens fez uma grande pesquisa, e pelo visto a única solução para a burrice e falta de informação é assinar jornais com mensalidades de até R$14,99. Mas infelizmente esses jornais de credibilidades realmente comprovadas já são infectados pela nova variante de burrice e, portanto, não são mais tão lidos ou acreditados, passando a serem chamados genericamente de “grande mídia golpista”.

Sobre vizinhos e etiqueta

Uma coisa explícita sobre as regras de comportamento é que elas não são explícitas.

Nós somos seres complicados. E isso é totalmente compreensível, se você levar em conta os milhares de anos que vivemos em civilizações aprendendo a lidar um com os outros. Nós criamos regras muito bem definidas de como devemos nos comportar quando estamos sozinhos, ou, ainda mais, acompanhados de outras pessoas. “A ética“, já dizia a professora de filosofia, “é o conviver dentro de casa“. Isso depois de explicar que “filo sofia” é o amante do conhecimento. No final fica bem claro que não aprendemos coisa nenhuma.

Tudo bem criarmos regras pra sobreviver em grupo. É isso que nos difere dos outros animaizinhos desse planeta enorme. O problema aqui é que as regras não são explícitas nem diretas. Elas não são escritas em um código de regras que se aprende em casa ou na escola. Você vai aprendendo durante a vida. E essas regras de comportamento podem ser diferentes de acordo com o lugar onde você mora, ou a pessoa com quem você está se relacionando. É complicado demais.

Complicado demais, mesmo para seres humanos complexos.

Eu me mudei há mais ou menos dois meses. E a questão aqui é que eu não me apresentei para meus vizinhos na primeira semana em que me mudei. Também não me apresentei nas semanas seguintes. Ele tem uma esposa, duas filhas e um gato. E agora, morando há dois meses aqui e vendo eles todos os dias de manhã e de tarde, fica difícil perguntar o nome deles a essa altura. Fica chato eu perguntar agora.

O ser humano é complicado demais. Essas regras de comportamento. Eu só queria fazer uma amizade…

Novo Novo Normal

Depois de ser normal a expressão “novo normal” o normal passou a ser outro totalmente diferente do que pensávamos ser o “novo normal”. Estamos vivendo assim no novo “novo normal”. Ou, talvez, normal novíssimo. Ninguém sabe

Nomenclaturas à parte, já sabemos que nomear momentos históricos não funcionam enquanto se está vivendo ele. Primeiro que não se entende a complitude do momento, e todos os fatos que ocorrerão no período a ser nomeado.

Além disso, quem vive no momento não quer saber se ele vai ser considerado bom ou ruim nos livros de história. Estamos aqui para sobreviver. Se sairmos bem na foto, é só consequência.

Tendo dito isso, eu até tinha preparado um texto sobre o “novo normal” para postar aqui (e, até este ponto você já percebeu que “novo normal” com aspas é o normal imaginário. Agora falaremos do normal real). Eu não o publiquei, por perceber que, aos poucos, o normal que estamos vivendo é muito diferente do que dissemos que seria.

Se antes era o normal de home office, conviver bem com os membros da família e aprender a lidar com a solitude, a realidade deu um tapa na nossa cara. Romantizaram (e gourmetizaram) até a pandemia. Mas é muito difícil se reinventar quando se passa fome. Lidar com um vírus respiratório quando não se tem máscara, detergente e água na torneira. É triste construir um ambiente produtivo enquanto um país adoece.

Livros estão sendo e serão escritos sobre os tempos na pandemia moderna, e muitos deles começarão com “em tempos de corona”, além de alguns capítulos falando sobre esse tal “novo normal que nunca chega”. Vou deixar esse tópico para esses livros que virão.

Por enquanto, o novo normal são pessoas defendendo seu direito de liberdade de não usar máscara e sair quando quiser, e centenas de vidas perdidas por mortes que poderiam ser evitadas. Nós podíamos ter feito melhor. Sempre poderíamos.

Felicidade no Abanar do Rabo

A felicidade é complicada, porque não pode ser medida em níveis ou formas.

São muitos elementos envolvidos. A temperatura e pressão, os genes do seu DNA que vieram dos seus pais, junto com a criação que também veio deles (Freud explica isso aí). Tem também impulsos elétricos e sinapses conversando e trocando informações dentro do seu cérebro que podem te deixar feliz ou triste. Além de impulsos elétricos, tem reações químicas que acontecem na sua cabeça, e são alteradas pelo que você come, com quem você conversa e onde você está.

Essa sensação de bem estar é tão complexa quanto o próprio ser humano, e dedicamos nossa existência à busca dela. Mas os cachorros não.

Para o cachorro ficar feliz basta você dar comida pra ele. Ou brincar com ele durante uns minutinhos. Dá pra você medir a felicidade do cachorro pelo tanto que ele abana o rabo. Olha que simples, não é? Pois é.

Ao ir e voltar do trabalho eu passo em frente a uma casa cheia de cachorrinhos da raça shih-tzu. Eles são amigáveis e fofinhos, como todo shih-tzu. Todos ficam deitados na varanda, com a proteção do sol e perto da comida. Todos parecem muito felizes ali. Mas alguns deles (especialmente dois deles) têm a pequena diversão em correr para o portão, latindo pra mim. Eu passo, eles correm, latem, eu vou embora. Eles ficam olhando para a rua. O rabo deles abana, então eu sei que eles estão realmente felizes em fazer isso.

E os que ficam ali deitados? Será que estão tão felizes quanto os que correm, vociferando para alguém que não está nem aí para eles?

Nunca saberemos.

Eu sou mais dos que ficam deitados. E tô aqui bem feliz com isso.