Reunião de Roteiristas

Neste mês de outubro a equipe criativa não pôde se reunir como aconteceu nos meses passados.

Isso pode acabar afetando o cronograma que tínhamos para esse ano. Inclusive nas reuniões bimestrais o setor científico já tinha se adiantado, mas a contrapartida deles estava sempre na frente. Agora com o tempo corrido para esse mês, e sem a equipe criativa, nós vamos ter que correr com o que temos, pessoal. Pesquisem aí coisas antigas para reciclar. Talvez algum negócio de exoplaneta novo, ou um órgão do corpo humano. A última vez que tivemos isso foi há alguns anos. Dá pra usar de novo, não dá? Ok.

Tem também o setor de desastres, que ganhou mais orçamento no começo do ano passado. Esse ano vocês estão de parabéns, pessoal. Provavelmente vão ganhar mais um aumento no orçamento. Tem bastante gente feliz com o trabalho de vocês. Mas agora nesse mês de outubro a gente não conseguiu fechar com o pessoal do bom-senso. Então isso vai atrapalhar o que a gente já tinha conversado sobre vida extraterrestres e tudo. Talvez fica pra 2021.

E a equipe de Política Internacional? Bom. Vamos dar uma pausa aqui, né, galera. 2020 tá difícil até pra gente. Podem voltar ao trabalho. Depois do almoço eu quero uma reunião com a equipe do Brasil pra discutir umas decisões de vocês. Obrigado.

Tempo bom que não volta

O tempo bom é o de antigamente.

Hoje em dia as músicas, os programa de TV e essa internet que os neto vive infurnado não prestam, não. Bom mesmo era os programas de antigamente. A noite a família toda sentada assistindo novela junto, o jornal, sabe? É disso que eu tô falando.

Mas bom mesmo era antes. De pequeno a gente brincava na rua de terra com as criança da rua. Depois dos seis anos ajudava o pai e a mãe na roça, e não via a hora de chegar a noite. Todo mundo em volta do rádio ouvindo as notícia e a novela.

Êta tempo bom. Era bom quando aqui nessas terras não tinha europeu. Tô falando a verdade pra você. E lá na Europa tinha música boa, pintura, uns negócio de semana da arte. Era bom, rapaz.

Quando a gente morava em castelo. Nem era a gente que morava, na verdade. Era o rei, a rainha, o pessoal da família deles. A gente morava no esgoto. Mas era bom. Quem passava dos 17, 18 anos tinha uma vida boa, rapaz. Podia fazer o que quisesse. A vila era unida, e as crianças brincavam tudo soltas nas redondezas.

De primeiro a gente não se preocupava com essas bandidagem e droga que tem por aí, não. A gente tinha é que se cuidar pra não morrer de infecção. Mas era um tempo mais feliz, mais saudável. Era uma simplicidade.

Bom mesmo era quando a gente não tinha domesticado os animais. Minino, a gente tinha que cortar a árvore no braço, fazer o moinho de madeira no prego de ferro e girar com a mão. Ih, rapaz… era uns dez ou quinze escravos pra rodar o moinho. Depois de moído o trigo as mulher fazia pão pra semana inteira.

Mas bão, bão memo…era quando a gente era caçador coletor.

De bico aberto

Os humanos são uns animais territorialistas.

Todos nós somos, mas eles são ainda mais. Quando você chega perto de um cachorro que aclamou aquele espaço da terra como dele, ele rosna. Talvez ele te ataque. Os humanos, não.

Eles têm papéis que dizem que a terra é deles. Não sei quem deu esse papel a eles, já que a terra é de todo mundo. Mas eles parecem se orgulhar desse papel mais do que o que fazem com a terra que lhes pertencem.

Deve ser estranho ser humano.

E há muito muito tempo, eles destroem as nossas casas, sem perguntar se eram nossas. Os papéis devem dizer que a casa agora é deles, e não ganhamos nada com isso. Mas dessa vez foi pior.

Nós acordamos com o calor. Sem conseguir respirar. A nossa casa estava pegando fogo. Perdemos nossos filhotes e alguns da nossa família. Tivemos que voar por dias até encontrar lugar seguro.

Agora essa é nossa casa, até que alguém venha nos tirar daqui. Mas essa é a casa deles também.


Eu escrevi essa crônica curta porque tenho observado muitos pássaros de bico aberto na minha região. Como qualquer sintoma, eu fui pesquisar no Google. Descobri que isso é um sinal de que eles não estão respirando normalmente. Por causa do calor e da baixa umidade do ar, eles sofrem. Nós sofremos. Todos nós.

Sobre Tweets e Explosões

Há pouco mais de um mês, houve uma explosão em Beirute.

E isso me dá muito assunto sobre muita coisa. Primeiramente, o meu atraso e total displicência ao escrever sobre atualidades. Na verdade, eu não gosto de datar textos com informações que são somente relevantes no momento, e no futuro as pessoas que lerem vão se perguntar “do que ele está falando?”.

Além disso, nós vimos mais uma vez como estamos conectados, e como nada mais passa despercebido. Uma explosão próximo a um porto no Oriente Médio? Tweets no mesmo minuto. Vídeos sendo subidos no Youtube, antes mesmo que qualquer jornal pudesse noticiar. Se você quiser ver a explosão do porto, de um prédio à distância, de uma loja mais perto, dentro de uma igreja? Você consegue com apenas uma busca. Por dia o Youtube recebe, em média, cinco anos de conteúdo em minutos de vídeo. Isso te dá uma ideia do quanto estamos arquivando nossas vidas em servidores em algum lugar do mundo.

E, por último, meu compromisso ao lidar com esse blog é muito maior do que certas autoridades lidando com materiais explosivos em grandes quantidades, então…eu venho pesquisando muito sobre o Líbano e conflitos do Oriente Médio. É quase como ler livros de ficção científica sobre sociedades de outros planetas. Uma realidade completamente diferente da que vivemos na América do Sul.

É por isso que eu percebi ser impossível escrever sobre tudo. Ou você faz bem feito e embasado em pesquisas e fatos, ou você abre um Twitter.

Revolta dos Escritores

– Senhor, eles estão lá fora, e parecem muito zangados.

O senhor ligou a TV, enquanto olhava pela janela, e o jornais noticiavam o motim em frente ao escritório da empresa.

– O que estão fazendo aqui na frente?

– Bom, eu imagino que eles não saibam que aqui é só o escritório.

– Ah, se fossem robôs, saberiam.

– Estão revoltados com o…artigo.

A repórter na televisão prosseguia:

“A revolta começou na última semana, quando o primeiro robô a publicar uma matéria de opinião em um dos jornais mais famosos do país, dividiu os jornalistas e escritores. Nem todos concordaram com a opinião do robô, mas a grande maioria se revoltou ao perceberem seus empregos desaparecendo com a revolução das máquinas”.

– O que eles querem? Um computador ligado a noite inteira pode produzir uma biblioteca! Eu estou trabalhando no meu romance há semanas! – entrevistado um escritor.

– Isso não é justo, ok. Nós fazemos ligações e enviamos e-mails. Checamos informações. Isso dá muito trabalho. Para um robô vir e fazer tudo isso com um botão?

“Dezenas de escritores vieram aos portões da empresa dona do robô que emite opiniões que já são conflito, e trend topic na maior parte das redes sociais…”

– O senhor quer que eu chame a polícia?

– Melhor não, Melissa. Faça um fake. Publique um tweet.

– Sim, senhor

– Ah, melhor ainda. Deixe o robô fazer o tweet.

– Ok