Desenvolvimento

Apesar da falta de água, a comida cara e o aumento das doenças, está tudo bem.

Estamos realmente felizes com o desenvolvimento que nossa sociedade teve nas últimas décadas. A primeira grande questão era “como alimentar uma quantidade enorme de pessoas?” E a resposta era “não alimentar”. Simples, não é? Pareceu um pouco desumano no começo, mas as pessoas não podem reclamar do que não veem. E ninguém quer ver alguém morrendo de fome. Nós queremos ver um comercial com pedaços de carne na churrasqueira. É disso que as pessoas gostam!

E foi isso o que fizemos. Liberamos uma grande mata, que na época não servia para nada, e transformamos nosso país no pasto do mundo. Temos hoje muito mais cabeças de vaca do que pessoas neste país. Nos orgulhamos disso? É lógico. Se a China era a oficina do mundo, nós nos tornamos a dispensa. A carne e a soja que exportamos acabou se tornando impossível de ser comprada por aqui, mas o milho transgênico dá conta da população que sobrou desde as últimas pandemias.

Teve um pessoalzinho reclamão que achou que derrubar a mata ia aumentar o calor, diminuir a chuva. Mas aí foi o grande pulo do gato: Vendemos mais ar condicionados. Eles exigem mais energia, e então represamos mais rios, fazemos mais hidrelétricas. Se não tá chovendo? Melhor ainda. Começamos a usar energia solar.

Hoje a nossa nação se orgulha de ser a cozinha do mundo. Sustentamos a vida de inúmeros países com nossa carne, soja e o restinho de água, que nos renderão bons lucros até 2055.

Heróis vestem mochilas térmicas

Em 2019, Hideo Kojima lançou um jogo que se passa num futuro distópico, onde os entregadores são os heróis em uma sociedade isolada em bunkers.

Em janeiro de 2020, o Brasil parou para ver o BBB. 20 pessoas isoladas em uma casa. Ao final de março, estávamos todos assistindo pessoas isoladas, estando isolados em casa também. O que nem o BBB nem o jogo do Hideo Kojima, nem todos os quadrinhos do mundo previram, é que os verdadeiros heróis seriam menosprezados.

Primeiro os médicos e enfermeiros, que não podem simplesmente negar a situação,  e têm que enfrentar a morte por asfixia quase todos os dias na sua frente. Falaremos disso mais adiante.

Por hora nos concentramos nos entregadores, especialmente os de aplicativo. O serviço deles, sim, é essencial. Eles estão levando comida para pessoas em casa. Eles se expõem todos os dias a serem contaminados e, caso fossem, não poderiam se dar ao luxo de parar de trabalhar. Ah, você não sabia? Eu explico:

Diferente das pessoas que tinham suas carteiras de trabalho assinadas, e eventualmente perderam seus empregos, os entregadores por aplicativo são, em sua maioria, autônomos. Eles não tem carteira assinada. Também não tem qualquer vínculo empregatício às empresas com que trabalham.  Um dia sem trabalho para eles é um dia sem dinheiro para comprar a comida que eles carregam nas costas.

Além disso, eles estão muito mais propensos a serem contaminados, já que entram em contato com tanta gente ao longo do dia (ou da noite). E parar de trabalhar enquanto está doente é um luxo pra esses guerreiros que, como já disse, não têm carteira assinada.
Portanto, o aplicativo que você usa para pedir comida não paga as contas do entregador. Esses super heróis que batalham todas as noites e dias merecem seu reconhecimento e seu respeito.

Sobretudo, a sua empatia.

(mais sobre esse assunto, eu indico o Greg News Delivery)

Vivemos no futuro

Eu gosto de sempre me lembrar que estamos no futuro.

Você acorda, e seu dispositivo informa quais serão as temperaturas mínima e máxima do dia, se vai chover ou não, e talvez até alguma notícia importante de algo que tenha acontecido enquanto você dormia.

Você muito provavelmente tem uma geladeira e, apesar de ela não te indicar quando o leite está acabando, tem uma temperatura ajustável e pode te até um timer de programação.

Você acessa sua rede social, que é basicamente um banco de dados com fotos informações comentários sobre pessoas com quem você se relaciona. Você abre um aplicativo mensageiro com o qual em via mensagens e recebe fotos áudios e até vídeos de pessoas queridas todos os dias.

Eu preciso te dizer que você vive no futuro. E não importa se não existem carros ou skates voadores. Se seus tênis não se amarram sozinhos, ou se você tem um robô na sua casa. Você vive no futuro.

É importante esclarecer aqui que você tem um robô. Ele está com você nesse exato momento. Nas suas mãos. Não é à toa que, muito provavelmente, sistema operacional do seu celular se chama Android. Ao dizer “Ok Google” você pode conversar com ele, anotar tarefas na sua agenda, pesquisar coisas. Seu carro não voa, mas se você sincronizar seu GPS, ele vai te dizer para onde você deve ir. Se você errar a rota, ele vai recalcular. Você tem acesso à informação na ponta dos seus dedos como nunca houve antes na história humana.

Isso é o futuro. Parabéns.

Aliás todo esse texto foi digitado sem que eu tocasse no teclado. Usei os recursos de fala do Google no qual eu o dito e as palavras aparecem na tela. Se isso não é o futuro, eu não sei o que é . Imagine o quê Shakespeare faria com isso.

Qual recurso do futuro você mais utiliza no seu dia a dia?

O vermelho patenteado

O lucro da montadora cresceu cerca de 12% no último ano. Segundo os números do fechamento cerca de 40% do crescimento da empresa veio de processos e resultados de entradas em fóruns, devido à decisão controversa de patentear a cor vermelho.

E não é simplesmente qualquer vermelho, mas sim o vermelho da próxima frota de carros que sairá por volta de novembro deste ano. Algumas marcas e agências desavisadas usaram o mesmo vermelho em campanhas e logos, e foram processadas. O mesmo aconteceu com inúmeras empresas que usaram o tom de vermelho para uniformes e campanhas publicitárias.

A montadora disse estar ciente da controvérsia que é patentear uma cor, mas ela acredita que a próxima frota de carros ficará marcada com a cor, no exato tom de vermelho patenteado, e acredita estarem fazendo o certo para o branding da empresa e do novo modelo.

Também disse que se preparou para o ocorrido, contratando o máximo número de advogados e estando atentos a marcas ou bancos de imagens que usarem o tom de vermelho patenteado.

Algumas poucas empresas conseguiram não sofrer processo, ou ganharam causas por argumentarem que o vermelho que usaram era um pouco puxado para o verde, ou tinham alguma porcentagem de ciano que o vermelho patenteado não tinha. Ainda outras conseguiram vencer causas por dizerem que o vermelho patenteado é metálico, enquanto o que eles usaram era digital ou fosco.

Por enquanto não saíram fotos, nem material promocional ou propagandas sobre o novo modelo do carro que levará a cor vermelha patenteada, mas com certeza ele já trouxe mais lucros para a montadora do que muitos outros fizeram.

Processo de Coachzação

A cada minuto são subidas 60 horas de vídeo para o Youtube. A cada ano que passa, mais conteúdo tem sido produzido para Instagram, Facebook, Snapchat, Tiktok e outras inúmeras plataformas e redes sociais que vão surgindo.

Somente em português, são mais de 5,5 milhões de blogs ativos, com conteúdo sendo gerado semanalmente, igualzinho a este blog aqui que você está lendo. Se você não entendeu, são cinco mil e quinhentos blogs… vezes mil.

O Brasil tem cerca de 120 milhões de internautas, e quase metade deles têm um blog. Desses 120 milhões, cerca de 40% escutam podcasts, de 10 a mais de 90 minutos de duração. O dia tem 24 horas, mas a cada dia são subidas 5 milhões de horas de vídeo no youtube, equivalendo a mais de 500 anos.

Se você não entendeu até agora, caro leitor, entenda…a internet está inflada. Superinflada. E ao mesmo tempo, cheia de conteúdo que não existem pessoas o suficiente para consumir.

Há anos vem acontecendo o que eu poderia, com toda tranquilidade, chamar de “Efeito Coach“, ou “Processo de Coachzação“.

Consiste na ideia de que, por exemplo, havia um blog, e dez pessoas seguiam este blog. Agora as dez pessoas têm seus próprios blogs, e agora são onze blogs que centenas de pessoas acompanham e seguem. Já passamos do estágio em que as centenas de pessoas têm blogs, e agora não existe mais ninguém para ler. Assim como já existe coach de tudo, e, se todo mundo é coach, ninguém é coach de coisa nenhuma.

A questão que você, leitor, quer também seja blogueiro, escritor, vlogger, influencer, coach, saiba usar bem o seu tempo. Ou, pelo menos, se preocupem com o tempo que as pessoas que leem seu conteúdo gastam.

Você, por exemplo, está aqui lendo este texto super sério, e meio sem graça. Pode clicar aqui embaixo no link, e ir para algum texto que, talvez, seja mais legal. Eu prometo (ou não)…