Segundas Criativas

Ontem foi segunda feira, e há pouquíssimo tempo eu instituí na minha rotina as Segundas Criativas.

É um espaço reservado na minha agenda para que eu escreva textos para a semana inteira do blog. Simples assim. Eu desligo o celular, a internet, qualquer coisa que possa me distrair. E escrevo.

Durante a semana anoto as ideias que podem virar algum texto em uma lista, com frases curtas que me lembrem da ideia. E é nas Segundas Criativas que elas tomam forma e conteúdo em palavras escritas.

Mas, como você pode perceber, eu não sento para escrever somente às segundas feiras. Durante todo o resto da semana eu continuo criando e anotando coisas. Isso acontece porque a inspiração não vem de um só lugar.

Essas Coisas de Pedro, que você lê aqui toda semana (muito obrigado por isso) me estimulam a criar todo o dia, a todo o momento. Estou fazendo diálogos na minha cabeça. Inventando histórias e personagens, ideias de crônicas e textos que aparecem por aqui.

É por isso que eu fiquei muito feliz ao criar, no mês em que completei 3 anos de blog, a Segunda Criativa. É um momento da semana que me faz criar toda a semana. E assim eu continuo enchendo esse blog de coisas…

Tapa buracos do tempo

Eu não sei se ficou claro o suficiente aqui – e se não ficou claro, é porque eu não quis deixar claro até o momento – mas eu quero ter o mínimo de trabalho possível.

Eu escrevo uns textos, publico toda semana aqui. Você vem de vez em quando e lê. Alguns você não gosta, outros você não entende. E pretendo manter nossa relação neste mesmo nível, caro leitor.

Se você costuma ler outros blogs, já percebeu que todos eles têm imagens em seus textos. Isso significa que alguém parou, por mais de 15 minutos, assinou algum serviço de banco de imagens e seleciona fotos relacionadas para vincular nos textos do blog.

Isso você não encontra por aqui.

E não é por má vontade, não.

É que quando comecei publicando os primeiros textos, eu queria que o blog tivesse aparência de colunas de jornal. E o jornal, que era a mídia mais barata antes de existir computador, também possui imagens. Mas isso não vem ao caso.

Não existe um consenso unânime, mas as crônicas surgiram para tapar os buracos da diagramação do jornal de papel. “Tem um quadro em branco aqui. Cabe 800 palavras. Manda fulaninho escrever alguma coisa pra por aqui!” e assim nasceram os cronistas.
Na verdade as crônicas de jornal chegam a ter 1500 palavras. Sem imagens. Mas isso é pra quem tem tempo de ler jornal.

E eu tô meio sem tempo, e não quero ter nem dar muito trabalho.

É por isso que aqui, no Coisas de Pedro, não tem imagem. As crônicas tem de 150 a 400 palavras. É basicamente um blog cheio de tapa buracos do tempo, que começa comigo aqui escrevendo e publicando, e você aí, lendo e rindo de como eu sou besta.

Palavras virão

“É só escrever as primeiras palavras, que as outras virão” eu escrevi uma vez, numa folha de caderno. Até hoje estas palavras estão lá, escritas à caneta por um jovem pedro que acreditava ser escritor de alguma coisa.

Se você acredita ser um escritor, hoje em dia pode muito bem abrir um blog e ser um. Se você escreve coisas, tem muito mais chances de ser um escritor do que muitos que acreditam ser escritores e não escrevem nada.

Mas este texto não é sobre isso, caro leitor. O que eu quero dizer é: As palavras estão até hoje naquela folha de caderno. Somente aquelas palavras. Outras não vieram.

Me sinto um péssimo anfitrião. Eu preparei uma super festa para as palavras. Escolhi as canetas que usaria, separei uma folha em branco em que poderia discorrer sobre ideias, transcrever conceitos, e nada. As palavras não vieram.

Esse lance de escrever crônica é um negócio complicado. São cerca de trezentas palavras que escrevo para, toda terça e quinta-feira de manhã, te prender nesta página por pelo menos dois minutos. Você lê, como está fazendo agora. Dá aquela risada pouca e continua seu dia. Crônica é isso.

Segundo o Antônio Prata, cronista de primeira lá do jornal A Folha, a crônica é uma lupa que a gente bota num negócio pequenininho, pra enxergar um negócio mais pequenininho ainda. A crônica é uma lupa no cotidiano. É isso o que sai aqui todas as terças-feiras. Eu me aproximo das coisas e escrevo. Você se aproxima de mim enquanto lê. Sem constrangimento.

Não é só um tapa buraco de jornal. Mas um tapa buraco do tempo, mesmo.

No futuro eu vou me lembrar da noite fria de Junho em que me deparei com o fato de não ter texto pro dia seguinte no blog. Parei, sentei em frente ao notebook e escrevi sobre o simples ato de escrever, silenciando a notificação do WordPress, que dizia “Você não escreveu nada!”. Toma, bobo. Escrevi sim.

Promo

Eu estava terminando o rascunho de um texto que, muito provavelmente, não viria para o blog. Usava uma caneta esferográfica bic azul com pouca tinta que achei no escritório do meu pai.

O rascunho do texto estava ficando bem mais ou menos. Faltavam apenas algumas linhas quando..a caneta…começou a falhar.

Dei aquela chacoalhada de leve, como se chicoteasse a tinta para a ponta. Todo mundo sabe que isso não resolve. Tentei rabiscar o cantinho da folha, pra ver se a tinta voltava. Tirei a caneta do tubo, e estava mesmo vazio.

A porta abriu. Entraram dois caras com iluminação de estúdio, um com uma câmera de TV. Uns moços trouxeram um telão verde e colocaram atrás de mim. Já não cabia quase ninguém quando entrou a diretora e um repórter representante da Bic. Ele deu duas batidinhas no microfone. A diretora deu sinal e, ele gritou:

– Parabéns! Você foi o primeiro do universo a terminar uma caneta bic!
Eu não entendi muito bem o que estava acontecendo. As luzes vieram bem forte na minha cara. Ele começou a falar algumas coisas sobre a história das canetas.

Eles fizeram algumas perguntas, eu nem lembro muito bem o que respondi, e já iam indo embora, recolhendo cabos e equipamentos, quando gritei:

– Moço!
– Pois não.
– O senhor…teria uma caneta pra me emprestar?
– Ah, claro.

Ele tirou de seu terno azul uma maravilhosa caneta Stabilo hidrográfica que uso até hoje.

Botão de Bloqueio Quebrado

Então, eu queria aproveitar esse espaço que eu tenho aqui no meu blog para pedir desculpa para a minha mãe, pelos diversos áudios que mandei para ela esses dias, com uns barulhos e sons abafados muito abstratos, que fizeram ela acreditar que eu fui sequestrado.

Desculpas também pra você, meu amigo que tenho contato no whatsapp, e acabei te mandando fotos todas pretas e talvez até mandei algum meme que estava no meu celular junto.

Foi mal, você, contato distante, que eu liguei sem querer, e mandei um e-mail com um assunto mais ou menos como “asdiojeijad…” porque eu realmente não tinha intenção. Eu totalmente respeito a seriedade do e-mail. Peço desculpas

Peço, também, que a Associação de Animais do Bairro me perdoem pelo link da previsão do tempo que eu lhes mandei. É que a inteligência artificial entendeu que eu queria compartilhar com vocês a felicidade de ser uma quarta-feira de sol. Eu sempre quero compartilhar isso, mas não dessa forma. Muito menos seguido pelos vídeos do cachorro da minha irmã que, por acidente, foram enviados diretamente a vocês. Olha só que estranha e engraçada coincidência! haha!

Por favor, me perdoe, assessor do Gilberto Gil! Eu realmente não tinha o seu número, e acabei digitando sem querer enquanto andava de bicicleta, com o celular no bolso da calça e a tela não estava bloqueada. Eu queria muito um show do grande Gilberto Gil, mas foi engano. Eu não tenho esse dinheiro, e não peguei o seu número com ninguém da Record. Foi mal mesmo.

Se, por algum motivo, eu te mandei alguma mensagem estranha nos últimos meses, caro leitor, perdão. O botão de desbloquear a tela do meu celular quebrou e, como todos os problemas da vida, a gente resolve procrastinando e pedindo desculpas. Parece que ser adulto é mais ou menos isso aí.