Processo de Coachzação

A cada minuto são subidas 60 horas de vídeo para o Youtube. A cada ano que passa, mais conteúdo tem sido produzido para Instagram, Facebook, Snapchat, Tiktok e outras inúmeras plataformas e redes sociais que vão surgindo.

Somente em português, são mais de 5,5 milhões de blogs ativos, com conteúdo sendo gerado semanalmente, igualzinho a este blog aqui que você está lendo. Se você não entendeu, são cinco mil e quinhentos blogs… vezes mil.

O Brasil tem cerca de 120 milhões de internautas, e quase metade deles têm um blog. Desses 120 milhões, cerca de 40% escutam podcasts, de 10 a mais de 90 minutos de duração. O dia tem 24 horas, mas a cada dia são subidas 5 milhões de horas de vídeo no youtube, equivalendo a mais de 500 anos.

Se você não entendeu até agora, caro leitor, entenda…a internet está inflada. Superinflada. E ao mesmo tempo, cheia de conteúdo que não existem pessoas o suficiente para consumir.

Há anos vem acontecendo o que eu poderia, com toda tranquilidade, chamar de “Efeito Coach“, ou “Processo de Coachzação“.

Consiste na ideia de que, por exemplo, havia um blog, e dez pessoas seguiam este blog. Agora as dez pessoas têm seus próprios blogs, e agora são onze blogs que centenas de pessoas acompanham e seguem. Já passamos do estágio em que as centenas de pessoas têm blogs, e agora não existe mais ninguém para ler. Assim como já existe coach de tudo, e, se todo mundo é coach, ninguém é coach de coisa nenhuma.

A questão que você, leitor, quer também seja blogueiro, escritor, vlogger, influencer, coach, saiba usar bem o seu tempo. Ou, pelo menos, se preocupem com o tempo que as pessoas que leem seu conteúdo gastam.

Você, por exemplo, está aqui lendo este texto super sério, e meio sem graça. Pode clicar aqui embaixo no link, e ir para algum texto que, talvez, seja mais legal. Eu prometo (ou não)…

Vida de mosquito

Meu bisavô dizia que todos os homens da nossa família eram dos mais bravos e valentes. Todos eles, sem exceção, já haviam enfrentado o grande…chinelo.

Então ele morreu por uma palma de mão. Nem estava caçando, não. Estava só passeando entre a casa da minha tia e o rancho que ele gostava de passar o fim de tarde. Era uma parede que não pegava sol, e era perfeita, porque passavam cachorros deliciosos depois que anoitecia. Um dia passou alguém, e ele fez barulho demais. Bobeou. Morreu de uma palma de mão.

Meu avô que era valente. Encarava dos piores desafios parar conseguir comida e trazer para casa. Na verdade ele era o que chamamos de ZZzzzz, que, no caso, vai na frente e descobre onde tem comida pra seguirmos depois.

Morreu de veneno. Daqueles SBP, que deixa meio grogue antes de matar de verdade. Ele ainda tentou sair voando, mas não conseguiu. Suas asas estavam molhadas, e estava desorientado. Bateu em um móvel da sala e caiu. Tomou outro spray de veneno. Ficou ali mesmo.

E eu esperava mais do meu pai. Mas os humanos estão melhorando mesmo. Ele morreu de raquete elétrica. Não deu nem tempo de descobrir o que foi. Tá! Morto eletrocutado.
Eu não sei se é o nosso jeito de sentir o tempo passando, ou o que faz parecer que essas histórias aconteceram há muito tempo. Na verdade aconteceram ontem e antes de ontem.

Mas tudo bem. Está na hora do almoço, e preciso achar um ser humano fresquinho que esteja dormindo, para eu voar perto da orelha dele com meus amigos, depois picar a sola do pé, só de brincadeira. Depois vamos passar a tarde descansando na parede da sala, assistindo TV.

Vai ser legal…

Burrice é sinal de Inteligência, diz estudo

Cientistas acordaram muito tarde, e ficaram trinta minutos rolando o feed do Instagram. Depois de procrastinarem um projeto por cerca de seis meses, começaram a analisar o comportamento de pessoas que, assim como eles, tem certa dificuldade em começar coisas, e mais dificuldade ainda em terminá-las.

É difícil dizer exatamente quando o estudo começou a ser feito, já que eles procrastinaram realmente por muito tempo. O que foi bom para a pesquisa, que contou somente com pessoas inteligentes que procrastinam.

O estudo foi feito na universidade de Califórnia, e passou pelas mãos de inúmeros cientistas de diversas áreas, como neurologistas, psiquiatras e psicólogos. Fizeram uma amostra com cerca de um grande número de pessoas, que acabaram ficando com preguiça de contar. Mas, não é por nada, já que eles foram movidos e estimulados por uma pesquisa recente, que dizia que dificuldade em contar números em sequência, e fazer contas de cabeça é um sinal de inteligência.

A divulgação dessa pesquisa se valeu do esforço de inúmeros divulgadores científicos, que acordaram tarde e fizeram seu café hipster. Estes divulgadores foram selecionados à dedo pelos cientistas, já que ela precisava ser divulgada por blogs e revistas de pessoas inteligentes. Acordar tarde, fazer café e ser publicitário são fortes indícios de pessoas inteligentes.

Novos estudos tem aprimorado a nossa percepção do que é um ser inteligente, e graças aos blogs, grupos de whatsapp e posts no Facebook, a divulgação científica nunca atingiu tantas áreas diferentes. Chegamos ao ponto de poder dizer, com total segurança, que quem lê blogs é mais inteligente, sim.

Boneca Russa das Realidades

Eu tenho medo de escrever. É verdade. É estranho eu começar o meu centésimo vigésimo nono texto com essa constatação, mas é verdade. Eu explico…

A maioria dos meus textos têm personagens com personalidades e motivações. Tento fazê-los parecer o mais real e palpável possível, mesmo que sejam uma extrapolação da realidade em que vivemos.

E, considerando a realidade em que vivemos com um pouco mais de calma e racionalidade, acabamos percebendo que ela, em si, não é tão palpável e realística. O que estou dizendo é que, analisando friamente o universo em que vivemos, já estamos vivendo numa extrapolação de algo que seria o normal.

Essa normalidade ideal pode estar em outro tempo, em outro país ou em até outra dimensão – dependendo do seu otimismo e ceticismo – com certeza absoluta não é a que estamos vivendo.

Partindo desse pressuposto, as realidades que eu crio, publicando aqui no Coisas de Pedro, podem possivelmente serem reais em alguma dimensão. Então as personagens, as famílias delas, e todos os universos absurdos que eu já criei e demoli podem ter deixado de existir com um simples toque de teclas.

Não, eu não me sinto mal por ter feito ninguém ser assaltado ou sofrido situações constrangedoras nos meus textos. O risco aqui é calculado. O meu medo, mesmo, é ter feito você perder alguns minutos do seu dia e não ter válido à pena. Espero que tenha.

Matemática Aplicada na Vida Real

Eu aprendi a fazer contas. Sei que, juntando cem reais em doze vezes, eu tenho mil e duzentos reais. Acontece que a matemática, assim como todas as outras matérias da escola, vão dificultando da primeira série até o ensino médio. Mas especialmente a matemática.

Aliás, tudo que vai dificultando com o passar do tempo, aumenta a tendência a quebrar. E ainda estou falando da matemática. E isso fica muito claro porque, na quarta série, juntar cem reais todo mês dá mil e duzentos reais mesmo.

Na vida real é muito mais complexo. Não é tão preciso. Juntar cem reais por um ano, por exemplo, te dá um déficit de trezentos reais, e no final você tá pagando boleto e fatura do cartão com o décimo terceiro.

Essa aqui é uma conta básica da vida real. Mas às vezes é difícil mensurar a abstração da realidade da vida adulta. Isso você não aprende na quarta série.

Meu vizinho, por exemplo, tem um carro. Esse carro possui um motor, quatro rodas, um eixo, tudo o que um carro precisa para funcionar e te levar de um ponto A a um ponto B. Acontece que esse carro custa cento e vinte mil reais. Ele faz exatamente o que o meu Palio 97 faz, só que com muito menos estilo.

Eu tento aplicar aqui a matemática da quarta série, e não consigo. Primeiro porque, não consigo imaginar gastar cento e vinte mil reais numa coisa que, no momento que você compra, já está perdendo valor. Da concessionária até a sua casa ele já perdeu uns sete reais de valor ali. Mas até aí tudo bem

Onde a conta não fecha, é que eu teria que trabalhar dez anos para conseguir pagar aquele carro. E não seriam dez anos de economia, não. É dez anos sem almoço e sem janta. Sem aluguel e sem dinheiro pra roupa nova. Eu não ia conseguir pagar a gasolina, muito menos o IPVA.

Mas uma coisa que ainda faz sentido desde a quarta série, é que tudo no universo tem explicação. Meu vizinho é contador. Ele trabalhava contando dinheiro. E quem quer ter dinheiro trabalha com dinheiro, não com arte. É por isso que eu tô aqui, escrevendo texto pro blog. Eu poderia estar por aí dando volta de carro chique, mas estou simplesmente tentando entender o mundo.