Uma breve pausa e um recomeço

Caro leitor, nós já temos uma certa proximidade. Você já sabe o que eu penso sobre muita coisa. Já ouviu minha voz em vários episódios de podcast, e logo vou aparecer lá no instagram @coisasdpedro. Eu preciso de um tempo.

Mas o problema não é você, não. Sou eu. Na verdade é esse espaço que nos conecta de tantas formas. Esse blog. Ele precisa crescer.

No próximo dia 13 de setembro o Coisas de Pedro estará completando 4 anos de existência. Nesses 4 anos conheci muitas pessoas legais, aprendi muitas coisas e desenvolvi um projeto grande demais para minha cabeça de 20 anos. O Coisas de Pedro merece crescer. E vai.

Nas próximas semanas estarei desenvolvendo um novo Coisas de Pedro. Dessa vez, não um blog. Mas, sim, um site. Um portal para um universo de Coisas. Nele você vai encontrar resenhas de coisas que eu vi, li, assisti. Vai ter opiniões e colunas de outras pessoas que eu admiro e sempre apoiam meus projetos. Além disso tudo, outras novidades vão aparecer, e você vai fazer parte dela.

E, para isso, eu preciso desse tempo. Uma breve pausa. Eu não quero me desesperar para entregar tudo de qualquer jeito. Quero sentir as mudanças desse blog, e aproveitar a metamorfose do Coisas de Pedro para mudar coisas em mim também. Desenvolver. Amplificar.

E você pode fazer parte dessa mudança. Siga o Coisas de Pedro no instagram @coisasdpedro. Acompanhe as novidades que vão aparecer no Coisas de Pedro no youtube.

Resenha: Peregrinas de Calmaria e Tormenta

Jout desconhece o que é liberdade. Escrava de um dos povos mais odiados de Tallautumn, ela vê a brasa da liberdade queimar quando invasores vindos do além-mar tomam o povoado de seus captores.
Gaile, uma obstinada sopradora de vidro, não pretende seguir os planos do pai de casá-la. Mas o destino não está do seu lado, e seus sonhos são interrompidos quando um povo bárbaro bate às portas de sua vila.
Inesperadamente, as vidas de Jout e Gaile se entrelaçam, e logo elas percebem que precisarão fazer escolhas difíceis se quiserem manter-se vivas.

Em Peregrinas de Calmaria e Tormenta, o leitor é apresentado ao mundo de Tallautumn por dois pontos de vista diferentes. O da jovem sonhadora Gaile, e o da escrava Jout. E, por ambos os pontos de vista, você não é cercado por uma enxurrada de informações sobre o mundo, a língua e a cultura. Esses elementos são apresentados gradualmente, de forma que não assustam o leitor. Ambas as personagens principais tem características e qualidades ímpares, e que conquistam e motivam qualquer um a ler essa história envolvente até o final. As personagens secundárias movimentam a trama e os conflitos de forma tão orquestrada que você se sente junto deste grupo de mulheres fortes.

Todo o primeiro ato do livro te cerca com a impressão de que algo ruim está prestes a acontecer, e essa tensão te prende até que algo ruim de fato acontece. Não só a motivação dos personagens é moldada sobre o ambiente onde vivem e como as coisas acontecem, como também suas ações e decisões implicam na trama e em seu relacionamento com outros personagens. No segundo e terceiro ato a tensão gira em torno da fuga. E a partir daí o destino se torna tão importante quanto a jornada que movimenta a construção de cada personagem.

Tallautumn é um mundo vivo, com cidades-estado e culturas próprias. Lais consegue te apresentar esse mundo com detalhes e clareza impressionantes. Os personagens estão muito bem construídos, e a história das Peregrinas é cativante e emociona em muitos momentos da trama.

A fantasia de Peregrinas não só te mostra um mundo novo, com povos e raças distintas, como te coloca de frente a várias tradições e culturas do mundo real. Todos os questionamentos que os personagens fazem durante a jornada instigam o leitor a pensar e refletir sobre o nosso mundo.

Você pode comprar Peregrinas de Calmaria e Tormenta na Amazon Kindle! Só clicar no link abaixo:

Além disso tudo, eu tive o prazer de entrevistar Lais Napoli, a autora desse romance fantástico incrível. Você pode conferir a entrevista no Anchor, Spotify ou no player abaixo:

Ando meio desligado

Em algum momento durante a pandemia, resolvi me desligar. Desinstalei aplicativos de notícias, saí do Twitter, parei de assistir TV e ouvir podcasts de notícia. Por quê?

Tá dando muito trabalho viver em 2020/2021. Não são só as notícias de mudanças climáticas, e desastres naturais, que continuam acontecendo normalmente. Também não é o fato da crise econômica, que sempre vem como consequência de pessoas estarem morrendo todos os dias por uma doença evitável. Eu nem vou falar da política. É tudo isso. Mas também o fato de se estar vivendo em uma pandemia.

É um primo de uma vizinha que pegou Covid. O filho da Fulana que ficou tantos meses internado. Alguém do seu trabalho que testa positivo. Tudo isso é estresse. Estresse porque você não sabe se vai ser o próximo a estar precisando de respirador na fila do posto, ou se já pegou e passou pra alguém, e nunca vai saber.

“Esse conjunto de problemas que afetam a saúde mental e geram depressão e ansiedade é o que estamos chamando coloquialmente de cérebro pandêmico”,

Michael Yassa, neurologista do Centro de Neurobiologia da Aprendizagem e Memória da Califórnia.

Uma matéria do G1 explica como é bom passarmos certos tipos de estresse que se aliviam com o tempo. Entregar algo no prazo, resolver algum problema (e lidar com os benefícios de sua solução) são estresses bons.

Ficar trancado em casa por mais de um ano, com medo de perder algum parente ou morrer pela Covid, não é nada bom. Em muitos níveis.

Nossa vida social foi afetada. Não é a mesma coisa jantar pelo Zoom, e as chamadas de vídeo não suprem o contato humano. As lives, que viraram moda no começo do ano passado, agora são substituídas por longas horas de scrolling de redes sociais. O convívio dentro de casa não é exatamente saudável em muitas famílias, e além disso não somos feitos para estar presos.

O que o neurologista chama de “cérebro pandêmico” é o resultado de todos esses fatores aqui citados, e muitos outros que todos temos passado desde março de 2020. Não está sendo fácil viver.

Portanto, é por isso que decidi viver desligado. Um pouco fora das redes sociais e das notícias. Não adianta nada, para mim, ficar estressado com algum veto de lei, ou um esquema de corrupção descoberto. Eu sei da notícia, mas não é saudável se desgastar completamente com ela.

Não é nada saudável se desgastar com esse estresse crônico de estar vivo, e sobrevivendo, meio a tantas mortes. Eu não preciso mais saber quantas pessoas morreram de Covid ontem, e ficar pensando em todos os parentes enlutados, e toda a dor que isso causa.

Tenho guardado meus níveis de estresse para cuidar da saúde e do relacionamento das pessoas próximas. Também tenho feito o máximo pra manter esse blog e o podcast alimentado e vivo, com coisas positivas e que me fazem ter vontade de viver um futuro sem mortes evitáveis.

Resenha: A Volta ao Mundo de Laura Magalhães

Em meio a uma pandemia que impossibilitou viagens há mais de um ano e meio, Fernanda Breder escreve em Volta ao Mundo de Laura Magalhães um romance positivo, alegre e descontraído sobre se apaixonar e “simplesmente largar tudo e viajar”.

A Volta ao Mundo de Laura Magalhães é um romance que te prende primeiro pelos personagens e suas histórias de vida. Ao apresentar Laura, completamente perdida, nas primeiras linhas do livro, você está na pele de Laura. Entende tudo o que ela está passando e o que está sentindo. Além da identificação imediata com a situação da personagem, você se sente comovido a consolá-la, da forma que suas amigas fazem.

Então a apresentação das amigas de Laura, e a forma suave com que Fernanda Breder consegue fazer você, leitor, se identificar, apaixonar e querer acompanhar mais sobre a vida de cada personagem. Ao introduzir Guilherme, você entende a sua motivação de vida e todo o peso da sua jornada. O leitor se sente parte da jornada. Quase como que participando dos diálogos e das decisões do personagem. E, dessa forma, você é levado para dentro da aventura de Laura em dar uma volta ao mundo, como Phileas Fogg, personagem de Júlio Verne.

Eu sentia que nunca tinha feito nada memorável. O que, quando eu fosse uma velhinha enrugada, eu poderia lembrar e pensar “caramba, é mesmo, eu fiz isso”? Nada. Absolutamente nada. Só uma vida desinteressante, de obrigações e resultados medianos.

A Volta ao Mundo de Laura Magalhães

Partindo do ponto da viagem, central e fundamental para o desenvolvimento dos dois protagonistas, entramos no romance entre Laura e Guilherme. Fernanda consegue não só fazer personagens cativantes e apaixonantes, como fazer dois desses personagens se apaixonarem entre si de uma forma natural e suave. Você percebe a amizade surgindo, e, com ela, a sincronia de pensamentos e intenções nos diálogos dos personagens. O romance e a interação dos dois não é, de forma alguma, forçada. Você entende porque os dois se apaixonaram, e quer que permaneçam juntos o máximo de páginas possível!

A partir daí, os encontros e desencontros de A Volta ao Mundo de Laura Magalhães vão te fazer querer ler até o final, e passar boas horas de um entretenimento leve, que também te instiga a pensar na própria vida e o que você está fazendo com ela.

Você pode comprar A Volta ao Mundo de Laura Magalhães no Amazon Kindle e ler direto no seu celular! É só clicar no link abaixo:

E, pra você que leu até aqui, eu tive uma conversa muito legal com a Fernanda Breder, autora deste livro. E está publicado no podcast Conversa de Pedro! Escute o episódio no player abaixo, ou em qualquer das principais plataformas de podcast.

Teresa, ele vai cuidar de você

Este texto é continuação de “Teresa, foi bom te conhecer”

Era um moço muito gente boa. Colecionador e negociador de guitarras. Entende bastante de madeira e captadores, perguntando muitos detalhes sobre a guitarra.

Minutos depois eu peguei o contato dele, e estávamos trocando áudios sobre a guitarra. Quando eu comprei, se ela tinha marcas de uso, como era o som dela. Ele ligou e negociamos a guitarra em troca de um aparelho amplificador que seria muito útil para o que eu queria.

A Teresa é uma Les Paul. Uma guitarra igualzinha a do Slash, na maioria dos clipes de Guns n’ Roses. Não só o modelo como o som dela é único. E eu gosto tanto desse modelo que tinha duas. Agora estava negociando a guitarra que havia restaurado em pouco mais de um ano. Ela merecia um cuidado melhor.

Isso porque eu comprei ela pela OLX também. E o último dono não teve tanto cuidado. Ela tinha uma marca no braço, e conversando com o negociador eu percebi, ela tinha caído no chão. Provavelmente alguém estava tocando, e a correia desmontou, derrubando a guitarra com o braço no chão. O headstock (parte que segura as cordas e afina) estava rachado. Em mais de cinco anos eu não tinha percebido esse detalhe. Simplesmente tocava e pronto. Agora, na hora de vender, esses pequenos detalhes fazem a diferença. Ainda mais para quem era negociador de guitarras com o preço até cinco vezes maior que o dela.

Depois de duas semanas negociando com o moço, fechamos o preço e eu marquei o dia pra ir levar a guitarra e receber o dinheiro + o amplificador.

Até lá muita coisa acontecia…