Espaçoviária Tempoportoral

– Olá, bom dia!
– Bom dia, senhor. De onde o senhor vem
– Do futuro
– Perdão
– Ah, de 3022. Mas eu sou de 2315. Estoriassendo trabalhandoendo em um projeto. É de revitalização de algumas sociedades. Aqui está

Apresentou seu passaporte, sendo minuciosamente analisado pela funcionária do tempoporto.

É importante a esse ponto acrescentar que, a partir do início das viagens e mudanças do tempo descorridas pelas viagens, os verbos se tornaram extremamente complexos. Não somente os verbos.

– Você não acha Tempoporto uma expressão um pouco estranha? Sei lá, acho que “temporto” ficaria melhor.
– É uma expressão comum e muito sonora no idioma original. Mas acho que o senhor não saberia falar.
– Ah, eu falo muitas línguas antigas.
– Por isso mesmo o senhor não saberia falar – acrescentou – é de uma língua do seu futuro.

Ela olhava o histórico passado e futuro dele. Tudo o que conseguia encontrar somente nos imensos servidores do “temporto”. Era mesmo um estudioso de história. Estareveria no futuro, e voltariará para o futuro dali 500 anos, então não seria ela a vê-lo novamente em seu retorno.

O tempo naquela gigante rodoviária temporal era mais estranho. Passava mais ou menos como se passa em elevadores.

– Mas o senhor consegue dizer o nome de cento e três esportes da primeira civilização. Isso é impressionante!
– Na verdade não foi a primeira civilização. E é nisso que estou trabalhando atualmente – disse, empolgado
– O senhor com certeza fararia um grande serviço para a humanidade. – disse, devolvendo o passaporte
– Obrigado – sorriu

Caminhou até o portão de embarque, e dali quinhentos mil anos conseguiu viajar para dois mil e trezentos anos no passado daquele momento. Chegando exatamente enquanto um celta cabeludo fazerassendoia uma descoberta que mudourasseria a sociedade da época.

Tática de Guerra

A grande porta de madeira foi meio que aberta, e meio que metade de um rosto apareceu devagarinho, com medo de incomodar.

– General…General!

– Diga, capitão. O que aconteceu?

– Temos um problema. O exército inimigo sitiado está adotando uma nova estratégia, que não estamos conseguindo saber lidar.

– O que eles estão fazendo dessa vez?!

– Parece que eles estão festejando e dançando, general

Pareceu bobo dizer isso, e na verdade era. O general iria querer ver isso com seus próprios olhos.

– Eu preciso ver isso com meus próprios olhos.

– Este é o problema, general. Não creio que seja possível.

– Por quê?! O que está acontecendo que eu não deva saber?

– Então…

– Por um acaso, capitão… eles estão bêbados?

– Seria muito bom, general. Mas eles parecem estar sóbrios. Estão bebendo um tipo de bebida que, segundo nossos informantes…uma bebida que pisca. Não estão fazendo nada de incomum além de dançarem, e…

– E o que, homem?! Desembucha!

– Estão tocando tambores e instrumentos de cordas. Também têm outros sons que nosso povo não conhece.

– Ora, eles estão nos provocando! Mande enviar ma saraivada de flechas imediatamente! Essa guerra terá um desfecho ainda esta noite!

O Capitão não queria mesmo incomodar

– Este também é um problema, general. Os arqueiros estavam em posição para atacar há quatro horas. Nas últimas duas horas eles sucumbiram ao bum bum chacabum, e não estão mais aptos a guerrear.

– Bum o quê?! Do que você está falando, homem?!

– Então, eu consegui vir avisar o senhor, mas os batuques são realmente muito fortes. Nossa infantaria já está caindo nos efeitos do Molejão, e…

– Eu não acredito! Não pode ser verdade! Eu vou ver o que está acontecendo com o meu exércit…

Disse o general, passando pelo capitão e saindo da sala.

A guerra não teve um desfecho exatamente naquele dia, mas, sim, na quarta-feira da semana seguinte. Todos voltaram para os seus treinamentos e afazeres militares depois de um longo fim de semana de tududupá e tiraopédochão.

Diplomatas negociaram tratados de paz e cultura com o povo inimigo, e passaram a organizar micaretas entre os dois povos, e até hoje são um sucesso.

Vida de mosquito

Meu bisavô dizia que todos os homens da nossa família eram dos mais bravos e valentes. Todos eles, sem exceção, já haviam enfrentado o grande…chinelo.

Então ele morreu por uma palma de mão. Nem estava caçando, não. Estava só passeando entre a casa da minha tia e o rancho que ele gostava de passar o fim de tarde. Era uma parede que não pegava sol, e era perfeita, porque passavam cachorros deliciosos depois que anoitecia. Um dia passou alguém, e ele fez barulho demais. Bobeou. Morreu de uma palma de mão.

Meu avô que era valente. Encarava dos piores desafios parar conseguir comida e trazer para casa. Na verdade ele era o que chamamos de ZZzzzz, que, no caso, vai na frente e descobre onde tem comida pra seguirmos depois.

Morreu de veneno. Daqueles SBP, que deixa meio grogue antes de matar de verdade. Ele ainda tentou sair voando, mas não conseguiu. Suas asas estavam molhadas, e estava desorientado. Bateu em um móvel da sala e caiu. Tomou outro spray de veneno. Ficou ali mesmo.

E eu esperava mais do meu pai. Mas os humanos estão melhorando mesmo. Ele morreu de raquete elétrica. Não deu nem tempo de descobrir o que foi. Tá! Morto eletrocutado.
Eu não sei se é o nosso jeito de sentir o tempo passando, ou o que faz parecer que essas histórias aconteceram há muito tempo. Na verdade aconteceram ontem e antes de ontem.

Mas tudo bem. Está na hora do almoço, e preciso achar um ser humano fresquinho que esteja dormindo, para eu voar perto da orelha dele com meus amigos, depois picar a sola do pé, só de brincadeira. Depois vamos passar a tarde descansando na parede da sala, assistindo TV.

Vai ser legal…

Náufrago, mas não sozinho

Então ele abriu os olhos, e olhou em volta calmamente. Demorou aperceber que estava na situação que tinha visto muitos personagens em filmes e livros que amava: Ele era um náufrago

Logo pela manhã, enquanto caminhava pela praia, se lembrando das coisas que deveria saber neste caso – não beber água do mar, não comer qualquer coisa que aparecer na frente, cuidado com babuínos e ursos polares da floresta, por exemplo – e procurava algo para ser seu café da manhã, pensou numa possibilidade infalível.

Já vivenciou situações constrangedoras em toda a sua vida como empregado, e depois como sócio, dono e até como turista em outros países. Já sabia o que fazer.

Adentrou a floresta em busca de feijões. Qualquer feijão. No caminho, achou algumas frutas, tentou balançar um coqueiro, atirou pedras em galhos altos para caírem frutos que nunca tinha visto no mercado.

Comeu outras coisas que nunca tinha pensado em comer na vida, e nem sabia se tinham nome. Lembrava do que via nos filmes e livros. Tinha que fazer uma fogueira, uma cabana para se proteger das chuvas, uma lança para se proteger de animais. Mas ele só precisava de um feijão.

Depois de dar voltas dentro da floresta, e quase completar uma volta na ilha, chegou à terrível conclusão de que estava sozinho. A loucura chegaria à sua mente em algumas semanas. Ele precisava se virar com as coisas que o universo lhe dava. E o Universo, ele é infalível.

Achou feijões.

Os comeu. Do jeito que estavam, crus. Fariam efeito mais rápido.

Esperou alguns minutos sentado na areia da praia. Seu estômago agiu como se estivesse colaborando com seu plano.

Peidou.

Exatamente dois segundos depois:

– Marcos! Você por aqui!

Super Heróis Urbanos

O ser humano está num constante estado de infelicidade. Parte disso é porque nunca temos exatamente o que queremos, e quando temos é por pouco tempo. Mas esse ainda não é o problema real. A questão aqui é que, na maior parte do tempo, estamos descontentes com o lugar onde estamos.

Você, muito provavelmente, vive em uma cidade, junto com muitos outros humanos. Você precisa aprender coisas, para ser qualificado, e desempenhar seu papel na sociedade. Então você tem que ir à uma escola ou faculdade, e você vai de carro, de moto ou de ônibus, até o lugar de aprender.

O mesmo vale para quem trabalha. As chances são muito maiores de você ter que se deslocar da sua casa até a fábrica, empresa ou órgão público para exercer suas habilidades.

Ainda assim, o ser humano continua infeliz. Se muda de bairro, de cidade. Muda de emprego e faculdade. Compra um carro mais rápido, uma bicicleta elétrica.

A infelicidade que as pessoas têm sobre o lugar onde elas estão movimentam um mercado tão grande, que são feitas ruas, rodovias, aviões. Tamanho é o descontentamento do ser humano, que você pode estar em outros lugares virtualmente. Numa reunião de negócios, ou pra falar com parentes que moram longe.

Meio a todo esse ensaio sobre infelicidade e trânsito, é claro, chegamos ao encontro do melhor dos dois temas: O entregador de comida.

Em um tempo onde as pessoas iam a restaurantes e lanchonetes, alguém pensou “e se a comida for até as pessoas?”.

Vale ser mencionado aqui o super herói conhecido como Peter Parker, que entregava pizzas no caos da cidade de Nova Iorque, e nas horas vagas ainda se fantasiava de Homem Aranha para fazer uns bicos. Ta aí, um excelente representante da classe.

Os entregadores de comida, sim, merecem ser mencionados e louvados pela sociedade. São guerreiros abnegados que abdicam da sua infelicidade para levar alegria e contentamento a outras pessoas.

Se isso não é ser super herói, eu não sei o que é.