Tédio atualizado

Eu tenho uma nova descrição para Tédio.

Geralmente o tédio é causado pela falta do que fazer. Uma sala de espera, o fim de semana em hotel fazenda (ou qualquer hotel normal) são geradores de tédio que, se pudessem gerar energia elétrica, estaríamos feitos para todo o sempre.

Elevadores são perfeitos geradores de tédio, porém o tempo em que você passa neles são curtos. Estamos falando do tempo real. O tempo imaginário são sempre medidos em meses ou anos na linha temporal dos elevadores.

Enfim, o tédio é mais do que o estado de falta do que fazer. Vai além da sensação que esse estado causa. Pra mim é outra coisa.

Quando não tenho nada pra fazer eu, geralmente, crio. Uma fila do banco, geralmente, me rende várias ideias para textos aqui para o blog. Uns 30 minutos na porta de casa esperando uma carona que demorou me renderiam ótimos roteiros imaginários de filmes de ação. O meu problema é com ter coisas pra fazer.

Quando eu tenho algo pra fazer, eu procrastino. Evito o máximo fazer o que precisa ser feito. E aí que eu me vejo na obrigação de arranjar algo pra fazer. Qualquer coisa, menos a minha tarefa principal. É aí que se encaixa o meu tédio.

Exatamente aí, entre o que eu quero fazer o no momento, e o que eu deveria ter feito há 2 dias. Existe um pequeno momento em que eu me contento que “tá bom, eu preciso fazer isso. E não há nada que eu possa fazer para procrastinar”. Então eu fico entediado. Apoio o cotovelo no sofá, o queixo na mão. Encaro o vazio da existência e da sala. Eu tenho mesmo que fazer isso? Que tédio…

(postado numa quinta feira de tédio)

Começa agora, sério

Eu tenho um arquivo do Word no meu OneDrive de 44 mil palavras.

Não, não é um livro. E não é algo que eu vá publicar. É o meu diário.

E eu tenho escrito alguns dias durante a semana. Descrevendo todos os meus dias em detalhes que só eu lembraria. Em algum lugar eu ouvi a frase “Você lembra o que estava acontecendo há exatamente seis meses atrás?” e eu não lembrei. Mas meu diário, sim.
Aqui um breve trecho do meu dia 17 de março:

“Algo que não falei muito por aqui, é que o surto do coronavírus está chegando no interior bem rápido. Nossa assembleia foi cancelada, nossa campanha de convites pra celebração paralisada. Estou me policiando quanto a colocar as mãos no rosto, e vou começar a fazer uma lista diária de pessoas que tive contato* a partir dessa semana.”

17 de março, 2020

Viu? Não preciso dizer mais nada para te convencer a começar um diário hoje mesmo. Você pode ter a sua vida escrita e registrada da forma que você quiser. Pegue um caderno e caneta, um aplicativo de texto que você goste, e comece a escrever!

* (sim, eu tenho uma lista de pessoas com quem tive contato. Assim, caso eu tenha sintomas, posso avisar a todos que estiveram próximos a mim nos últimos dias com muito mais precisão do que certos aplicativos por aí)

Recomendação: Podcast

Nesta quinta feira de curadoria eu tenho um link que pode te divertir por um bom tempo.

A mídia podcast ainda está em crescimento. Mas muitas pessoas não a conhecem, por não saber como consumir, ou onde chegar para ouvir. E, como você já pode ter ouvido na propaganda do Spotify, “existem podcasts para todos os gostos, mesmo os mais estranhos”. O que eu indico aqui hoje, eu costumo chamar de Friends dos podcasts.

O Gugacast é um podcasts feito de histórias, dos participantes ou dos ouvintes. Você manda a sua história e, se ela for boa, eles leem com comentários, mudando os nomes para ficar mais interessante. Tem os programas com histórias de viagens, histórias de negócios, médico, shows, histórias macabras. Tudo no mesmo feed, com o Guga, o Rafa (irmão do Guga) e o Caio. Às vezes algum convidado.

Espero que gostem da minha recomendação da semana.

Para ouvir ou baixar, é só clicar aqui.

E vocês, que podcast costumam ouvir?

Planos jogados

Eu estava animado para 2020.

Nos primeiros quinze dias do ano eu fiquei bastante tempo sozinho. Aprendi a cozinhar coisas básicas, organizei um planner (ou bullet jornal), comecei a escrever um diário. Aprendi coisas novas no violão e no computador. Planejei coisas para este meu blog. Voltei a fazer exercícios.

Não só voltei a fazer exercícios, como comprei um tênis de caminhada, fui na academia e fiz minha matrícula. Viu como eu estava animado para 2020? Então calma.

Eu assinei seis meses de academia adiantados. Semanas se passaram, e eu mantinha meu planner em dia, bem como meu diário e os planejamentos para o blog. Ao final de Janeiro eu ainda ia à academia 5 dias por semana, escrevendo e lendo bastante quase todos os dias.

E, se você fez as contas, caro leitor…a minha assinatura da academia venceu ontem, dia 13 de julho. Até ontem eu poderia ir à academia, porque tinha pago mensalidades que me manteriam indo todos os dias.

Por volta do dia 13 de março, a pandemia do coronavírus já estava perdendo o controle, e o estado entrou em quarentena. Foram exatos dois meses sem perder academia. Perdi 2 dias, para ser justo.

Depois disso não saí mais de casa. Tampouco fiz exercícios em casa.

O meu planner? Está ali jogado no canto do quarto. O diário eu mantenho, junto com um restinho de sanidade. Dos meus planos para 2020, a maioria se foram junto com meu ânimo para vivê-lo.

Pelo menos, toda semana, nos vemos por aqui.

Obrigado.

Crise Criativa

– Preciso avisar aos meus colegas de equipe, que essa ideia já foi usada. Texto número 49. Virada. 25 de dezembro de 2018.
– É, ele está certo. Esse negócio de alienígenas observando a terra, e a inutilidade da virada de ano.
– Ah…
– Já faz um ano, isso?
– Já.
– Estamos no meio de uma crise criativa, time. Temos que fazer algo a respeito. E o maior problema não é que não estejamos tendo ideias. A questão é que estamos tendo ideias repetidas. Nós já pensamos em roubar ideias de outros blogs ou livros, mas não dá muito certo. E agora estamos chegando aos 150 textos. Muitas ideias que tínhamos já foram escritas…
– Que tal escrevermos textos que já escrevemos, mas de outro jeito?
–  Bom ponto. Gostei da ideia. Como assim, de outro jeito?
– Não sei, mudar uns personagens. Mudar a ordem dos eventos. Escrever numa linguagem mais rebuscada para ninguém entender
– Que negócio de ninguém entender, meu querido! As pessoas já entram aqui no blog e não entendem nada!
–  Já sei!

Todos olharam, atentamente. O novato chamou atenção com segurança de que iria mudar o rumo da reunião e de todas as coisas para sempre.

– Que tal escrevermos textos simples. Ideias que todo mundo já conhece, já lê nos livros de romance e séries? Assim mais pessoas leriam, e recomendariam as Coisas de Pedro para outras pessoas…

Dois segundos de silêncio.

Alguém estava tomando café, e cuspiu tudo na mesa. Todo o time de criativo começou a gargalhar imensamente. Alguns se jogaram em cima da mesa de reuniões. Outros tiraram a gravata e começaram a girar. Bagunçaram o cabelo do novato.

Enquanto isso, o Pedro mexia no Instagram…