Nova Variante da Burrice

Uma nova variante de burrice foi detectada, e pode estar circulando a mais tempo do que imaginamos no Brasil.

Especialistas em retórica, história e sociologia detectaram por meio de pesquisas no Facebook e Twitter uma nova variante de burrice circulando no Brasil. A patologia já recebeu diversos nomes, mas está sendo catalogada entre os fenômenos sociais como “tiresuaspropriasconclusõesismo“.

Conversamos com o sociólogo e professor da universidade de Campinas, Fernando Almeida, que tem mais a nos dizer sobre esse tipo tão específico de burrice. Ele diz “É uma variante muito perigosa por ser mais transmissível. Veja só, um famoso que é burro e acredita em uma teoria da conspiração pode acabar transmitindo a burrice dele para outras milhares de pessoas. E se ele é famoso, tem mais seguidores, consequentemente tem mais credibilidade nas redes sociais. E assim seus seguidores, na maioria tão burros quanto eles, acabam replicando sua burrice para as entranhas da internet“.

O historiador José Cardoso Neto diz já ter precedentes na humanidade, mas a nova variante tem se provado ainda mais perigosa. “Antes um doido gritando na praça era só um doido. Agora as pessoas se juntam em grupos e hashtags pra discutir conspirações. E pra elas, todas essas conspirações são reais. Todos querem acreditar que o governo ou as grandes organizações estão escondendo coisas de você. Eles só querem o seu dinheiro” diz o professor.

Infelizmente o panorama não é muito otimista. A nossa equipe de reportagens fez uma grande pesquisa, e pelo visto a única solução para a burrice e falta de informação é assinar jornais com mensalidades de até R$14,99. Mas infelizmente esses jornais de credibilidades realmente comprovadas já são infectados pela nova variante de burrice e, portanto, não são mais tão lidos ou acreditados, passando a serem chamados genericamente de “grande mídia golpista”.

Em sua dependência, não dependa de ninguém

Quando você procura independência, seja numa vida universitária recheada de noites em crises de personalidade e síndrome do impostor, ou uma mini república que foi colonizada a séculos por um estado majoritário opressor, você aprende que ser independente é depender de todo mundo. No meu caso, saindo da casa dos pais e me casando, eu deixei de ser dependente de quem trocou minhas fraldas para depender de um emprego, um locador e um cartão de crédito. Esquece a parte do cartão de crédito.

A questão aqui é que eu e minha digníssima tínhamos um locador pronto para nos receber. A casa já estava praticamente alugada para nós. Não fosse o fato do atual inquilino estar construindo, e depender de algumas coisas para sair da casa no prazo. Tá vendo o negócio da dependência que eu te falei?

Eu dependia do locador, que dependia do inquilino sair, que dependia dele terminar a construção da casa própria dele, que dependia de não chover.

Choveu.

A construção atrasou. Ele devia ter saído dia 15, e já era dia 22. A casa não estava desocupada para nós. E assim que descobrimos que, em nossa dependência, não devemos depender de ninguém.

Escreva um diário

Por 365 dias eu escrevi sobre meus dias. Esse foi meu 2020.

Eu comecei no dia 2 ou 3 de janeiro, detalhando em um arquivo de Word como foi minha virada e os primeiros segundos do ano. Depois disso continuei listando e descrevendo os dias, um após o outro.

Fiquei alguns dias sem escrever, e sentava durante um tempo para tirar o atraso. Não pensei que faria isso até o fim do ano de 2020, mas fiz. E foi uma das melhores coisas do ano.

A sensação de ter ali meus dias registrados, e poder escrever em detalhes meus sentimentos e minha visão das coisas cotidianas é incrível. Eu aprendi a contar histórias melhor. Melhorei minha expressividade e habilidade em descrever acontecimentos. Mais ainda, além disso tudo, eu registrei dos a dia do ano mais maluco de todas as nossas vidas.

Por enquanto este arquivo do Word está descansando no meu Onedrive. 130 páginas em folhas A4. Mais de 67.500 palavras. Não pretendo publicá-lo. Com certeza vou revisitá-lo este ano e nos próximos, quando eu me perguntar “o que eu estava fazendo neste dia de 2020?”. Além de um arquivo de alguns megabytes, fica a experiência, o aprendizado, e todo o incentivo para que você, leitor, faça isso. Registre seus dias. Comece hoje mesmo. Você não vai se arrepender.

Senhorzinho sensato

Vi um senhor, parado no meio da calçada embaixo de uma árvore. Ali ele estava com sua bicicleta, e usava uma máscara.

Muito precavido esse senhor, em tempos de pandemia, mesmo saindo de casa usava a máscara sem ser no pescoço, ou com o nariz de fora. Também estava andando de bicicleta nesse bairro que tem pouco movimento e nenhuma aglomeração nas praças.

O senhor parou ali embaixo da árvore. Abaixou a máscara cuidadosamente, e mexeu no bolso, tirando alguma coisa. Depois ele começou a mexer nas mãos. Muito bem. O senhorzinho trazia seu próprio álcool em gel.

Não, não era álcool em gel. Ele estava embolando seu cigarrinho. Fez isso mais cuidadosamente ainda. Acendeu e tragou várias vezes ali, embaixo da sombra. Muita sensatez, mesmo. Andar de máscara.

Mas tirar a máscara pra acender um cigarro? Ta bom…vou atravessar a rua e continuar voltando pra casa.

O início da perfeição

“Não há nada que não se deve ser escrito. Se um dia existir, deverá ser escrito a fins de registro sobre o que não se pode escrever.

Tudo deve ser escrito à finalidade do aperfeiçoamento, nunca visndo a perfeição como destino palpável, mas como a constante mudança e transformação em algo totalmente novo, completo e, por fim, perfeito. A finalidade da arte é perfeita harmonia entre forma (estética) e conteúdo (seja poética, filosófica, jornalística, etc). O autor (no caso, eu) deve buscr a perfeieção não como algo visível, um destino a se chegar, mas como uma constante quase inalcançável. A perfeição utópica. É ela a que vamos buscara. E vamos como loucos. A escrita é uma procura incessante pela perfeição em sua plenitude.”

O texto que você acabou de ler foi escrito dia 14 de outubro de 2016, por um Pedro um pouco mais novo que esse que lhe escreve agora. Quase um ano depois eu comecei este blog que você está. A perfeição ainda não foi alcançada, mas a busca continua. Vasculhando alguns cadernos antigos encontrei esse texto, e achei um bom jeito de começar um ano cheio de Coisas de Pedro. Todas terças e quintas deste 2021 estaremos aqui, e espero vocês pra mais coisas que estão por vir.