O início da perfeição

“Não há nada que não se deve ser escrito. Se um dia existir, deverá ser escrito a fins de registro sobre o que não se pode escrever.

Tudo deve ser escrito à finalidade do aperfeiçoamento, nunca visndo a perfeição como destino palpável, mas como a constante mudança e transformação em algo totalmente novo, completo e, por fim, perfeito. A finalidade da arte é perfeita harmonia entre forma (estética) e conteúdo (seja poética, filosófica, jornalística, etc). O autor (no caso, eu) deve buscr a perfeieção não como algo visível, um destino a se chegar, mas como uma constante quase inalcançável. A perfeição utópica. É ela a que vamos buscara. E vamos como loucos. A escrita é uma procura incessante pela perfeição em sua plenitude.”

O texto que você acabou de ler foi escrito dia 14 de outubro de 2016, por um Pedro um pouco mais novo que esse que lhe escreve agora. Quase um ano depois eu comecei este blog que você está. A perfeição ainda não foi alcançada, mas a busca continua. Vasculhando alguns cadernos antigos encontrei esse texto, e achei um bom jeito de começar um ano cheio de Coisas de Pedro. Todas terças e quintas deste 2021 estaremos aqui, e espero vocês pra mais coisas que estão por vir.

Tchau, 2020, e Férias!

Ainda restam 15 dias para o fim de 2020, e o Coisas de Pedro entra de férias!

Muita aconteceu durante todo esse ano de 2020 que me fez escrever e produzir ainda mais. Textos saíram de inspirações, insatisfações ou sensações de dever e de que “algo tem que ser dito sobre isso”. Muito texto que me orgulho de ter colocado pra fora, e muito texto que eu espero me orgulhar quando estiver olhando mais no futuro.

Vamos para uma breve retrospectiva?

Neste ano de 2020, 130 posts foram publicados.

Dentre eles, uma série de pequenos contos chamada Contágio, recomendações de apps, podcasts e outros blogs, posts sobre produtividade e até 4 episódios do podcast do Coisas de Pedro!

Mais de 32.000 palavras foram escritas.

E, como eu já falei por aqui, procurei não ser verborrágico em textos enormes que ninguém vai ler. A média de palavras por texto se manteve em 250 até aqui no finalzinho do ano, mesmo em contos com diálogos grandes. Assim você pode rolar o feed do blog com a garantia de que vai começar e terminar a ler um texto em menos de cinco minutos.

Mais de 1.100 visualizações e 600 visitas.

E eu estou muito feliz com a visibilidade que o Coisas de Pedro teve nesse ano de 2020. Muita gente começando ou descobrindo blogs novos, e eu estava no meio desses blogs. Além disso, vários amigos meus começaram a ler meus textos e me mandar mensagens sobre o que acharam, o que me animou ainda mais a escrever coisas legais por aqui.

Mais ou menos em Setembro desse ano de 2020 eu assinei o plano de blog do WordPress! Isso não foi só uma conta a mais no meu cartão de crédito, mas possibilitou que o blog crescesse da forma que cresceu nesses últimos meses. Agora você acessa o blog simplesmente digitando coisasdepedro.com em qualquer navegador, e ficou muito mais fácil para o Google me notar (e, sim, ele notou. Eu já estou entre os primeiros quando você pesquisa o nome do meu blog).

Esse ano também fiz amigos e conheci pessoas incríveis por meio das Coisas de Pedro. Eu conheci o Juliano, lá do Cachorro Magro. A Nicole, do Entre Conversas e Flores. A Gabriela, do Amor e Um Pouco Mais. A Shao, do Diário de Bordo da Shao. Muita gente legal e criativa.

Até comecei um projeto novo na direção do Juliano, do Cachorro Magro. O The Nameless Project. Lá eu divido espaço com ele, o Adriano e a Pauline, todos escritores muito talentosos e apaixonados pela escrita em inglês.

E agora, no finalzinho desse segundo tempo de 2020, eu comecei um projeto que não sabia quão bem recebido seria: O podcast do Coisas de Pedro. Quatro episódios já estão publicados aqui mesmo no menu Podcast, e tenho muito orgulho de ter começado esse projeto especial com ajuda de muita gente querida. Nele eu leio textos antigos e novos do blog, às vezes com ajuda de convidados. Depois analiso cada um dos textos, comentando sobre a época em que os escrevi, e ampliando a discussão que o texto levanta. Assim como os textos, são episódios curtos, de cerca de 30 minutos.


Tanto o blog quanto o podcast terão essa pausa para uma respirada, e planejamentos para o ano que vem. Serão 15 dias de muitas ideias sendo planejadas e colocadas em prática. Muito caos e ócio para trazer textos e episódios melhores no ano que vem.

Este provavelmente é o último texto publicado no Coisas de Pedro em 2020.

Eu deixo meus agradecimentos à Daniele Siqueira, que disse “sim” e aceitou se casar comigo no dia 28 de novembro.
Agradeço aos meus pais, minha irmã e meu cunhado, que me apoiaram no início do podcast e continuam dando ideias e ajudando.
Agradeço ao Victor (@_Veetor) pelas ideias e discussões sobre criatividade. Ao Felipe Rabelo, por sempre dar as melhores dicas e provocações. Ao Victor Perazzi, pela edição dos podcasts a partir do episódio 3, sempre com muita qualidade e correndo com os prazos. Espero que essa parceria continue em 2021.
Espero que toda essa parceria continue em 2021. Eu aqui, produzindo textos pra você ler e se divertir, mostrar para os parentes e amigos. Você aí, acompanhando os posts do blog e me mandando mensagens no Telegram. Ouvindo os episódios do podcast enquanto lava a louça ou cozinha.

Esse blog sempre foi um espaço onde eu mostro as coisas que eu faço. E agora você vê. Muito obrigado.

Por tudo mesmo

Dia 2 de janeiro o podcast Coisas de Pedro volta no episódio #5. Você pode mandar perguntas, mensagens e histórias para serem lidas. Tá tudo escrito lá na página Podcast.
Dia 5 de janeiro voltamos às publicações aqui no blog. Toda terça e quinta, às 10h15 da manhã, uma nova Coisa de Pedro.

Sobrevivam a esses últimos 15 dias de 2020. Se cuidem. Cuidem da sua família. Estejam seguros. E até mais.

Tchau tchau.

Sobre vizinhos e etiqueta

Uma coisa explícita sobre as regras de comportamento é que elas não são explícitas.

Nós somos seres complicados. E isso é totalmente compreensível, se você levar em conta os milhares de anos que vivemos em civilizações aprendendo a lidar um com os outros. Nós criamos regras muito bem definidas de como devemos nos comportar quando estamos sozinhos, ou, ainda mais, acompanhados de outras pessoas. “A ética“, já dizia a professora de filosofia, “é o conviver dentro de casa“. Isso depois de explicar que “filo sofia” é o amante do conhecimento. No final fica bem claro que não aprendemos coisa nenhuma.

Tudo bem criarmos regras pra sobreviver em grupo. É isso que nos difere dos outros animaizinhos desse planeta enorme. O problema aqui é que as regras não são explícitas nem diretas. Elas não são escritas em um código de regras que se aprende em casa ou na escola. Você vai aprendendo durante a vida. E essas regras de comportamento podem ser diferentes de acordo com o lugar onde você mora, ou a pessoa com quem você está se relacionando. É complicado demais.

Complicado demais, mesmo para seres humanos complexos.

Eu me mudei há mais ou menos dois meses. E a questão aqui é que eu não me apresentei para meus vizinhos na primeira semana em que me mudei. Também não me apresentei nas semanas seguintes. Ele tem uma esposa, duas filhas e um gato. E agora, morando há dois meses aqui e vendo eles todos os dias de manhã e de tarde, fica difícil perguntar o nome deles a essa altura. Fica chato eu perguntar agora.

O ser humano é complicado demais. Essas regras de comportamento. Eu só queria fazer uma amizade…

Novo Novo Normal

Depois de ser normal a expressão “novo normal” o normal passou a ser outro totalmente diferente do que pensávamos ser o “novo normal”. Estamos vivendo assim no novo “novo normal”. Ou, talvez, normal novíssimo. Ninguém sabe

Nomenclaturas à parte, já sabemos que nomear momentos históricos não funcionam enquanto se está vivendo ele. Primeiro que não se entende a complitude do momento, e todos os fatos que ocorrerão no período a ser nomeado.

Além disso, quem vive no momento não quer saber se ele vai ser considerado bom ou ruim nos livros de história. Estamos aqui para sobreviver. Se sairmos bem na foto, é só consequência.

Tendo dito isso, eu até tinha preparado um texto sobre o “novo normal” para postar aqui (e, até este ponto você já percebeu que “novo normal” com aspas é o normal imaginário. Agora falaremos do normal real). Eu não o publiquei, por perceber que, aos poucos, o normal que estamos vivendo é muito diferente do que dissemos que seria.

Se antes era o normal de home office, conviver bem com os membros da família e aprender a lidar com a solitude, a realidade deu um tapa na nossa cara. Romantizaram (e gourmetizaram) até a pandemia. Mas é muito difícil se reinventar quando se passa fome. Lidar com um vírus respiratório quando não se tem máscara, detergente e água na torneira. É triste construir um ambiente produtivo enquanto um país adoece.

Livros estão sendo e serão escritos sobre os tempos na pandemia moderna, e muitos deles começarão com “em tempos de corona”, além de alguns capítulos falando sobre esse tal “novo normal que nunca chega”. Vou deixar esse tópico para esses livros que virão.

Por enquanto, o novo normal são pessoas defendendo seu direito de liberdade de não usar máscara e sair quando quiser, e centenas de vidas perdidas por mortes que poderiam ser evitadas. Nós podíamos ter feito melhor. Sempre poderíamos.

Aula de História

– Muito bem, crianças! Vamos começar nossa aula de hoje? Cliquem no link embaixo para abrir a página da aula de hoje. Alguém pode falar pra gente quando aconteceu tudo o que a gente vai estudar agora? O Maik.

Segundos de silêncio

– Maik, liga o microfone pra gente te ouvir.

– Aconteceu dia sete de junho de dois mil e vinte e oito, professor

– Exatamente, Maik! Neste dia, por volta das dez da manhã o presidente fez algo marcante para todos…

– Não mainhê!

– Maik, desliga seu microfone pra gente? Ótimo. Então, como eu dizia, o presidente fez algo marcante. Alguém sabe o que foi? Angela

– Um tweet, professor! Eu pesquisei aqui e acabei de dar RT.

– É isso mesmo, Angela. Você deu RT em uma versão divulgada pelos jornais da época. Foi um tweet que mudou a democracia e a forma de governo da época. Nas horas seguintes ao tweet, vários canais no Youtube começaram a subir vídeos falando sobre o assunto. Então começaram a ter discussões jurídicas, e as pessoas ficaram revoltadas com tudo o que estava acontecendo. Arthur, você está com a mão levantada?

– Qual era o tweet, professor?

– Aah muito bem. Olha aqui esse print.

As crianças ficaram espantadas.

– Está em um borrão, porque ele falou uma coisa muito feia, que vocês não repetem, crianças. Se quiserem, vão no perfil da Angela pra ver a versão dos jornais, que é melhor e mais leve. E depois desse tweet, o que mais aconteceu, crianças? Mônica.

– As pessoas foram pras ruas?

– Não não, Mônica. Obrigado por ter respondido, mas as pessoas só iam às ruas antes de começar essa era que estamos estudando. Agora elas continuavam a fazer memes sobre o assunto, mas inventaram também músicas e dancinhas no tiktok para protestarem. Arthur, você pode ler o primeiro parágrafo pra gente?

– Posso professor. Alexa, leia para mim

– É claro – disse a Alexa. E começou a ler.