Ando meio desligado

Em algum momento durante a pandemia, resolvi me desligar. Desinstalei aplicativos de notícias, saí do Twitter, parei de assistir TV e ouvir podcasts de notícia. Por quê?

Tá dando muito trabalho viver em 2020/2021. Não são só as notícias de mudanças climáticas, e desastres naturais, que continuam acontecendo normalmente. Também não é o fato da crise econômica, que sempre vem como consequência de pessoas estarem morrendo todos os dias por uma doença evitável. Eu nem vou falar da política. É tudo isso. Mas também o fato de se estar vivendo em uma pandemia.

É um primo de uma vizinha que pegou Covid. O filho da Fulana que ficou tantos meses internado. Alguém do seu trabalho que testa positivo. Tudo isso é estresse. Estresse porque você não sabe se vai ser o próximo a estar precisando de respirador na fila do posto, ou se já pegou e passou pra alguém, e nunca vai saber.

“Esse conjunto de problemas que afetam a saúde mental e geram depressão e ansiedade é o que estamos chamando coloquialmente de cérebro pandêmico”,

Michael Yassa, neurologista do Centro de Neurobiologia da Aprendizagem e Memória da Califórnia.

Uma matéria do G1 explica como é bom passarmos certos tipos de estresse que se aliviam com o tempo. Entregar algo no prazo, resolver algum problema (e lidar com os benefícios de sua solução) são estresses bons.

Ficar trancado em casa por mais de um ano, com medo de perder algum parente ou morrer pela Covid, não é nada bom. Em muitos níveis.

Nossa vida social foi afetada. Não é a mesma coisa jantar pelo Zoom, e as chamadas de vídeo não suprem o contato humano. As lives, que viraram moda no começo do ano passado, agora são substituídas por longas horas de scrolling de redes sociais. O convívio dentro de casa não é exatamente saudável em muitas famílias, e além disso não somos feitos para estar presos.

O que o neurologista chama de “cérebro pandêmico” é o resultado de todos esses fatores aqui citados, e muitos outros que todos temos passado desde março de 2020. Não está sendo fácil viver.

Portanto, é por isso que decidi viver desligado. Um pouco fora das redes sociais e das notícias. Não adianta nada, para mim, ficar estressado com algum veto de lei, ou um esquema de corrupção descoberto. Eu sei da notícia, mas não é saudável se desgastar completamente com ela.

Não é nada saudável se desgastar com esse estresse crônico de estar vivo, e sobrevivendo, meio a tantas mortes. Eu não preciso mais saber quantas pessoas morreram de Covid ontem, e ficar pensando em todos os parentes enlutados, e toda a dor que isso causa.

Tenho guardado meus níveis de estresse para cuidar da saúde e do relacionamento das pessoas próximas. Também tenho feito o máximo pra manter esse blog e o podcast alimentado e vivo, com coisas positivas e que me fazem ter vontade de viver um futuro sem mortes evitáveis.

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