Senhorinha na fila da vacina

Eu ainda não falei aqui sobre como a vacina da Covid ter saído em tempo recorde de desenvolvimento é um marco da humanidade. E é, realmente. As próximas gerações vão se lembrar de todo esse empenho e investimento de recursos em um único objetivo como método para muitas conquistas futuras.

Por enquanto eu gostaria de me concentrar nas vacinas como uma demonstração da evolução da raça humana, e em como esses animaizinhos que aqui vivem conseguem se organizar e produzir algo quando se empenham de verdade.
Mas não estou conseguindo, por causa de uma cena que vi em uma dessas filas de vacinação.

Aqui na minha cidade a campanha não foi a mais exemplar, e tenho certeza de que foi assim em muitos lugares do Brasil. O anúncio do dia de vacinação era um carro de som passando na rua. A mesma voz que indicava o kilo da banana a 2,98 também estava anunciando que na próxima sexta feira, no recinto de exposições, haveria vacinação contra a covid. Todos os idosinhos foram. A maioria deles acompanhados.

A fila, com uma leve derrapada nas restrições de 1,5mts de distância, dava a volta no quarteirão do recinto.
E ali, naquela fila, eu vi uma senhora atravessando a rua e saindo da fila por alguns instantes. Sua neta ou filha ficaria na fila guardando seu lugar.

Essa senhora estava prestes a receber a primeira dose da amostra do desenvolvimento científico e tecnológico da raça humana enquanto espécie. Seu corpo receberia componentes do vírus o suficiente para terem em seu sistema imune respostas eficazes contra o vírus completo. E aquela senhora saiu da fila. Atravessou a rua. Acendeu um cigarro.

Isso é Brasil. Um suco de Brasil.