Um marco na vida é só um dia comum

Depois de alguns dias de pintura, a casa estava pronta para receber móveis e começar a ficar ainda mais com a nossa cara. Cada parede, e cada cantinho teve o nosso cuidado ao pintar, lixar, limpar. Tudo isso levou cerca de três dias. Pois é, a casa não é muito grande.

Depois de um dia de serviço e pintura, eu tomei banho na casa dos meus pais. Troquei de roupa e coloquei coisas dentro do Palio 97 (vulgo Joaninha). Um colchão de casal, Algumas lâmpadas, cadernos e canetas. Um violão e as coisas que eu levaria para o trabalho no dia seguinte.

Eu estava fazendo minha mudança da casa dos meus pais. E me dei conta disso enquanto colocava as coisas no carro. Estava dando “boa noite” para meus pais, e saindo para a minha casa. Enquanto estava descarregando tudo, e colocando as poucas coisas no lugar, eu senti algo inédito.

Eu estava mesmo na minha casa. Todos os últimos meses se passaram como um filme na minha cabeça. A casa que não deu certo. Os dias de chuva, andando pela cidade a procura de uma casa para alugar. Encontrar essa em que estou escrevendo este texto. Pintar e arrumar cada cantinho.

Ainda além disso tudo, estar saindo da casa dos meus pais para a minha casa. Vinte e três anos dormindo sob o mesmo teto que eles, acordando e convivendo com eles. Uma nova fase da minha vida se iniciara naquela noite.

E era uma noite normal. A lua não estava nem nascente nem cheia. O tempo estava calmo e com uma leve brisa. Para a grande maioria das pessoas aquela noite, tão cheia de significados para mim, era só uma noite.

Assim eu percebi que, para o mundo, um marco na sua vida é só uma noite comum.