Pobre moço da lancha

Não se pode julgar uma pessoa sem saber da sua história, e de tudo o que ela percorreu para estar ali.

O moço fez umas brincadeiras com a atendente do posto, e parecia ser uma pessoa legal. Mas estava muito estressado. E, depois de contar sua história ali para a atendente,  eu agora me compadeço completamente dele.

Ele não é da cidade, mas estava em um rancho com uns amigos. Reclamava da incompetência dos companheiros, que vieram para a cidade e abasteceram os dois jet ski, e um motor da lancha. Tudo certo. Mas não sabiam do fato de que a lancha possui dois motores. Agora apenas um dele estava abastecido. Por isso ele estava aqui, enquanto todos estavam no churrasco, na piscina ou andando de jet skis, abastecendo um tambor para completar o combustível da lancha.

Que problema terrível e irremediável. Eu mesmo, nunca me veria em uma situação tão perturbadora dessas. Ele ainda comprou um energético, e pagou uma quantia que seria uma grande fração do meu salário.

Ouvi toda essa história enquanto calculava quantos centavos era o mililitro da guaraná, pra saber de compensava levar Schweppes. Não compensava, mas levei. E agora me sinto comovido com a triste história do moço que não tinha combustível nos dois motores da sua lancha.

Coitado.