Novo Novo Normal

Depois de ser normal a expressão “novo normal” o normal passou a ser outro totalmente diferente do que pensávamos ser o “novo normal”. Estamos vivendo assim no novo “novo normal”. Ou, talvez, normal novíssimo. Ninguém sabe

Nomenclaturas à parte, já sabemos que nomear momentos históricos não funcionam enquanto se está vivendo ele. Primeiro que não se entende a complitude do momento, e todos os fatos que ocorrerão no período a ser nomeado.

Além disso, quem vive no momento não quer saber se ele vai ser considerado bom ou ruim nos livros de história. Estamos aqui para sobreviver. Se sairmos bem na foto, é só consequência.

Tendo dito isso, eu até tinha preparado um texto sobre o “novo normal” para postar aqui (e, até este ponto você já percebeu que “novo normal” com aspas é o normal imaginário. Agora falaremos do normal real). Eu não o publiquei, por perceber que, aos poucos, o normal que estamos vivendo é muito diferente do que dissemos que seria.

Se antes era o normal de home office, conviver bem com os membros da família e aprender a lidar com a solitude, a realidade deu um tapa na nossa cara. Romantizaram (e gourmetizaram) até a pandemia. Mas é muito difícil se reinventar quando se passa fome. Lidar com um vírus respiratório quando não se tem máscara, detergente e água na torneira. É triste construir um ambiente produtivo enquanto um país adoece.

Livros estão sendo e serão escritos sobre os tempos na pandemia moderna, e muitos deles começarão com “em tempos de corona”, além de alguns capítulos falando sobre esse tal “novo normal que nunca chega”. Vou deixar esse tópico para esses livros que virão.

Por enquanto, o novo normal são pessoas defendendo seu direito de liberdade de não usar máscara e sair quando quiser, e centenas de vidas perdidas por mortes que poderiam ser evitadas. Nós podíamos ter feito melhor. Sempre poderíamos.