Fuga da realidade

Viver nem sempre é tão legal.

Às vezes temos que lidar com experiências ruins, como dores e doenças. Há muito tempo eram esses os motivos de usarmos ervas ou componentes da natureza que nos tiravam de nós mesmos, nos deixando num estado diferente da sobriedade. Ainda na mesma época, ou talvez antes, descobrimos a cerveja. O processo de fermentação da cevada fazia com que aquele líquido deixasse as pessoas mais…felizes. Talvez um pouco fora de si.

Estar fora de si é muito melhor, mesmo que não se tenha dor ou não esteja doente. Você não questiona as coisas que costuma questionar, e não pensa da forma crítica que te fez chegar até aqui como sociedade. E, falando em sociedade, estamos todos deprimidos coletivamente.

A cerveja passou a não funcionar tão bem. Fermentamos outras coisas para ficar doidões. Drogas naturais, drogas sintéticas. O cigarro alivia ansiedade. As drogas sintéticas são quase um gatilho social. O tabaco é quase terapêutico, se não acabasse com os seus pulmões. Estamos constantemente fugindo da realidade, porque “a realidade é uma droga”. Criamos outros mundinhos na nossa mente, fugindo da sobriedade de viver. E é claro que criamos mundos muito melhores do que este em que vivemos de fato.

Agora nós temos portais para esses mundinhos. Eles são todos telas de vidro que emitem imagens. Você está lendo este texto em um desses portais, agora. Talvez vai acabar esse texto e passar para uma rede social, onde várias pessoas felizes postam sobre suas vidas maravilhosas em telinhas. É sempre um mundo melhor, onde você fica feliz e mais sociável.

E o seu cérebro vicia tanto quando com a cerveja, o álcool, a droga natural, a sintética. Só outro tipo de droga para fugir da realidade.