Pombo

Estou no serviço, trabalhando no computador. Escuto um estrondo vindo do meu lado direito.

Mesmo de fones, consigo ouvir todo o barulho da rua e das oficinas aqui perto. Ouço o estrondo vindo da janela à minha direita. “Pow”. 

É um casal de pombos. É fácil de reconhecer um casal de pombos, porque geralmente é o macho com peito estufado tentando conquistar a fêmea. E este casal aqui parecia já estar formado. Digo isso porque a fêmea não estava evitando, nem fugindo do macho. Pelo menos não foi o que pareceu.

Mas o que aconteceu foi o seguinte: O macho bateu a cabeça com certa violência no vidro, e a fêmea, vindo logo atrás, conseguiu frear antes. Pousou no fio. Ele ficou sem entender o que acontecia, e começou a olhar para o vidro – com insulfilme – muito fixamente. Pelo visto, a fêmea entendeu que era um vidro, e o reflexo dela aparecia distorcido porque ela estava meio de lado. No caso do macho, ele continuou olhando para o vidro. E começou a achar que era outra pomba.

Ele estufou o peito e começou a fazer charme pro reflexo dele!

A pomba olhou pra ele. Olhou pro reflexo e foi embora. O pombo ficou ali, estufando o peito, eriçando os pelos e cantando para o reflexo dele. Levou uns dois minutos para perceber que o reflexo dele não fazia muito além de imitá-lo.

Agora ele perdeu a companheira, o reflexo, e vai ter um bom tempo para pensar na vida e em suas decisões…

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