Um texto pro Rambo

Seu Rodrigo é um ótimo vizinho e cozinheiro.

O que torna terrível o fato de a janela do meu quarto estar virada para a janela da cozinha dele. Seu pai faleceu antes de mudarmos para essa casa, então não chegamos a conhecê-lo. Mas provavelmente tinham o sorriso e simpatia que seu Rodrigo herdou.

Então, o único companheiro do meu vizinho era o Rambo. Um cachorro preto todo peludo e o mais amigável que já conheci. As pessoas que vinham em casa logo se deparava com Rambo vindo, cheirando seus pés e aproximando a cabeça para receber carinho, no caso daquelas que ele se afeiçoava mais. Ele não pulava em cima. Só gostava de estar junto.
Quando seu Rodrigo saía, dava pra saber. Rambo uivava como se a maior tragédia tivesse acontecido. Se o vizinho viajava, então…eram semanas de lamúria.

Rambo tinha uma glândula abaixo do focinho, no pescoço. Era um tumor que crescera ali há alguns anos. O veterinário disse que era preciso sacrificar. Que não duraria muito tempo. Rambo olhou para seu Rodrigo com olhos marejados. Ele não sentia dor, estava sempre feliz. Rambo gostava de viver.

Corria atrás dos cavalos que passavam na rua, e fazia a sua ronda na vizinhança enquanto seu Rodrigo varria a calçada.

Não vemos mais Rambo pela redondeza. Seu Rodrigo agora recebe seus amigos e abre o portão, mas nenhum cachorro preto sai. Quando fica sentado na calçada, ninguém mais o acompanha além do copo de tererê.

Rambo, você foi um bom companheiro.