Cumprimento

Era de manhã.

Ele entrou na sala falando no celular, e segurando um monte de coisas na outra mão. Apoiou o celular no ombro, cumprimentou meu colega com a mão. Se virou para mim e estendeu a mão para que eu o cumprimentasse.

Sim. Ele, que nunca vi usando máscara desde março. Ele que demorou dois meses para deixar álcool disponível para todo mundo, e que nunca vi usando também nos últimos seis meses. E que, se não segue nenhuma dessas recomendações, muito provavelmente também não respeita o isolamento social.

Ele que viajou mês passado, e há algumas semanas está tendo crises de tosse pelo menos duas vezes por dia. Ele que tosse na mão, e pega as coisas depois, me fazendo desinfetar tudo, enquanto ele não está.

E enquanto você lia tudo isso ele estava com a mão estendida, e eu pensando em milésimos de segundos.

Eu o cumprimentei, lógico.

Ele virou as costas, e saiu da sala. Me certifiquei de não encostar em mais nada enquanto saía.

Lavei minha mão com álcool em gel.

O dia se seguiu normalmente.