Irracional

A pequena família pós apocalíptica preparava seu acampamento para descansar. Estavam em viagem para um lugar onde o frio não fosse tão severo, e para isso levariam noites e noites dormindo ao relento. O jovem adulto seria o responsável pela segurança da família durante parte da noite.

Todos interagiram e trocaram as caças do dia. Foram dormir muito bem saciados. A fogueira à meia luz os mantinha aquecidos sob a baixa temperatura da noite floresta adentro.

O jovem, mas experiente vigia, percebeu o farfalhar de alguns galhos na direção sul. Ficou atento e apanhou sua arma de arremesso. Seus olhos se acostumaram com a escuridão de longe da fogueira rapidamente. Seu coração acelerou, enviando mais eneria e disparando todos os seus sentidos para o perigo que ali poderia estar.

Curiosamente, o barulho continuou se repetindo, mas sem novos estímulos. O vigia já tinha enfrentado feras e bestas em favor da sua família, e logo poderia constituir sua própria família. Mas, com o barulho continuando sem novidades, decidiu desdenhar da possível ameaça.

Então da moita sul saiu um felino enorme, demonstrando suas presas, e avançou em um dos membros de sua família. Todos acordaram com o barulho, e fizeram todo alarde. O pai logo decidiu fazer o que seu filho não fez, e avançou acima do guepardo, desferindo-lhe golpes.

O jovem julgou o ataque a um dos membros, junto com a investida agressiva contra o chefe da família, uma perda necessária para o grupo como um todo. Logo a fera irracional, um elemento da natureza, estaria saciada, e não precisaria de mais carne para se alimentar, e iria embora.

A fera irracional se alimentou do pai e de todos os membros da família, incluindo do jovem sábio que decidiu desdenhar da fera questionando “E a viagem? Nós vamos parar agora no meio do caminho?”