Refrescante sensação

Dependendo de quando você nasceu, caro leitor, você conhece muito bem a refrescante sensação de bem estar (chuá chuá). E, se você, millenial, não faz a mínima ideia do que eu estou falando, saiba que ter água potável saindo de torneiras da sua casa não é uma coisa fácil de se ter.

Já não era há cerca de duzentos anos atrás. Mas com a revolução industrial, a grande migração de pessoas para centros urbanos e a melhora da infraestrutura da maioria das cidades, você pode tomar um banho quentinho, e lavar as mãos sem nenhum problema. Você tem acesso a sabonete, detergente ou qualquer coisa que possa limpar suas mãos e seu corpo adequadamente.

Sinto informar que, se você tem acesso a água encanada, deveria estar muito mais feliz do que está. Afinal, cerca de 31,3 milhões de pessoas no Brasil não têm esse acesso. Mais de 5 milhões não têm sequer banheiro em suas casas, e provavelmente fazem suas necessidades na “casinha” (pergunte para seu vô ou sua vó o que é isso. Mas faça por videoconferência, por favor). Ou seja, se para você, quando encosta em algo que poderia estar contaminado, é fácil ir até o banheiro e lavar as mãos, agradeça.

Mais ainda, agradeça por ter um quarto ou mais na sua casa, pois mais de 10 milhões de pessoas convivem com mais de 3 pessoas por dormitório no Brasil. Se alguém pega a COVID nessa família, todos pegam. Talvez nem todos sobrevivam.

Vamos fazer um trato aqui, caro leitor: A próxima vez que você chegar na pia, esfregar o sabonete nas mãos, e as mãos uma na outra, sinta essa sensação de espuminhas se formando nas palmas. Respire fundo. Faça a figura mental das capinhas gordurosas de proteção dos vírus sendo desfeitas, e cada um deles sendo inutilizados. E agradeça, mais um dia, por estar respirando bem.