Contágio #1

Carlos tava bem. Se sentiu um pouco indisposto há uns dias, mas nada que fugisse do normal. Seu serviço exigia grande esforço físico, e peso que ele sentiu no corpo há algumas noites era normal depois de um dia de serviço cansativo.

No caminho, a janela do caminhão ficou aberta, e ele acabou tomando muito vento, o que deixou seu nariz escorrendo um pouco. Ele entregava pães e bolos para uma grande empresa, em várias cidades do interior. Lamentou não ter trazido seu paninho nem blusa. Acabou por limpar a coriza com a mão. Ao terminar de descarregar os produtos, pediria para ir no banheiro, e foi.

Seu Odair tem o mercadinho já faz uma vida toda. Cuida dele como tudo o que tem, com muita luta. É um dos poucos mercados abertos da cidade toda. Ele aproveitou as prateleiras vazias para tirar o pó, e acabou deixando cair um pouco de poeira no olho. Terminou de posicionar os pães e bolos na prateleira, e assinou o documento que seu Carlos sempre traz. Até deixou que ele usasse o banheiro.

A filha do seu Odair ajuda no mercado como pode. Limpa o chão e organiza prateleiras. Lava o banheiro e tudo. Depois que seu Carlos saiu ela abriu a porta do banheiro segurando na maçaneta. Depois de estar lá dentro, colocou as luvas e começou a limpeza.

Voltando para casa, ela abraçou seu filho, neto do seu Odair, e arrumou o cabelo que estava bagunçado. Ele brincava no quintal com seus carrinhos. Geralmente ficava com os avós enquanto a mãe trabalhava, mas nas últimas três semanas sua prima vinha para cuidar dele e limpar a casa para a tia. Cumprimentou-a, como sempre, com um abraço e um beijo.

Cinco pessoas contaminadas.

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