Robô pedinte #3

O modelo Rech-05 permaneceu na calçada, contemplando a vista e pedindo esmola para os poucos transeuntes distraído que passavam.

Assim que o rapaz estranho virou as costas e saiu, o algoritmo mudou sua busca de “termos socialmente aceitos para pedir esmola” para “Xingamentos em linguagem binária”. Rech pensou em um xingamento que qualquer cafeteira acharia um absurdo. Enviou, sob um sinal fraco, este xingamento para o semáforo, que respondeu com uma piscada no amarelo. Isso indicava que ele havia achado graça de toda a cena.

Rech-05 levantou-se para procurar outro ponto para pedir esmola. Estava ficando tarde, e achou melhor ir para casa.

Ao lembrar, é claro, que ele não tinha casa, resolveu ficar por ali mesmo.

Continuou naquela esquina pedindo esmola por dias e dias. E ninguém, além de Maicon, notou sua presença ali.

Em poucos meses ele seria recolhido pela empresa que o recondicionou, e toda sua memória seria usada para recolher dados de algum experimento científico social. Como um robô, ele não via necessidade alguma de que fosse feito experimentos social porque, afinal, a humanidade já estava durando tempo demais por aqui na Terra e em outros planetas também.