Quebrando a Quarta Parede

– Ah, finalmente você acordou.

Os dois estavam em uma sala escura com ladrilhos brancos e azuis.

– Quem é você? Onde nós estamos?
– Acalme-se, rapaz. Está tudo bem. Eu me chamo Lírico. Não vou te machucar. Estamos juntos aqui – disse, abrindo os braços e apontando para as paredes frias da imensa sala branca e azul.

– Que lugar é esse?
– Não se preocupa. Já já estaremos longe daqui. Esse é o blog do Pedro.
– Blog de quem?
– Não importa. A questão é que ele se só se deu conta que não tinha texto pra hoje às 9h da manhã, e teve que escrever um texto correndo só pra não passar em branco. – disse, mostrando um calendário enorme em uma das paredes.

– Texto..nós estamos dentro de um texto, presos aqui? – Começou a tocar as paredes.
– Mais ou menos. É só enquanto as pessoas ali leem, olha só…

E eles caminharam por uns passos até verem uma janela.

– Tem alguém lendo isso aqui?
– Claro que tem. Acene para eles.

O mais jovem acenou. Você, logicamente, não acena de volta.

– E quando nós vamos embora? Demora muito?
– Geralmente, não. Ele só precisava de um texto rápido pra hoje. E também ele acha que quebrar a quarta parede faz ele parecer inteligente, igual falar sobre viagem no tempo ou psicologia, essas coisas…
– Hum…
– Agora. Está acabando. Conte comigo…um…dois…
– O quê? – perguntou o mais jovem.

E o mais velho desapareceu. O personagem restante gritou e berrou, mas não havia mais ninguém para ler…