Tumulto do Ponto de Ônibus

A moça comprou uma casa justamente onde, meses depois, veio a ser o ponto em que os estudantes esperavam o ônibus para ir pra a faculdade. Era uma barulheira na frente da casa dela, bem na hora em que ela chegava em casa do serviço e queria descansar. Muita conversa. Pessoas rindo alto. Quem consegue descansar com pessoas rindo alto?

Primeiro ela reclamou com as pessoas, que ficavam cerca de quinze minutos, cinco vezes por semana, na porta de sua casa. Reclamou de quando eles vinham, e de quando voltavam. Afinal, havia uma aglomeração de pessoas na frente da porta dela praticamente todo dia à meia noite, na volta da faculdade. Isso era inadmissível.

Depois ela reclamou com um dos motoristas. Ele riu. Disse que era assim agora, e todos os dias aquele era o ponto escolhido da prefeitura para todos os ônibus se encontrarem e pegarem os alunos. Que, se ela quisesse resolver, teria que ver no setor de transportes da prefeitura. Ela foi no setor de transportes da prefeitura, e não resolveu nada. Acabou vendendo sua casa para um casal, e se mudando para um condomínio onde nada interromperia seu descanso após o trabalho.

O casal, por sua vez, viu que havia uma aglomeração de pessoas na porta de sua casa cinco vezes por semana. Pensou que nem todos aqueles estudantes moravam perto, talvez muito poucos deles.

Conversaram primeiro com alguns estudantes. Depois com uns motoristas. Foram no setor de transportes da prefeitura. E hoje alugam estacionamento para bicicletas e motos de estudantes que vão e voltam da faculdade tranquilos sabendo que não vão voltar à pé para casa.