Robô Pedinte #1

Naquela esquina estavam o semáforo, os carros autônomos passando, e o asfalto cansado de tudo aquilo. Ninguém questionou a existência de um semáforo em pleno século XXI, mas também, ninguém notou a presença dele ali. Todos estavam bem atentos às telas de seus dispositivos.

Tanto que não notaram, os transeuntes que por ali passavam, um robô sentado no chão. Era de uma lataria antiga e parecia ser daqueles feitos de ferro. Imersos em suas lentes e telas, e presos a seus fones e dispositivos, não conseguiam ouvir o que aquele pequeno robô parado na esquina tinha a dizer.

Menos o Maicon, que esqueceu o powerbank em casa, e o seu celular já acabou a bateria bem no meio da reunião da empresa. Ele já estava chateado e entediado, porque há décadas todo mundo sabe que ninguém presta atenção em reuniões de empresas, e somente ele teve que prestar atenção, já que não tinha bateria.
Depois de ter recebido uma promoção por isso, saiu em busca de um powerbank ou um carro autônomo para levá-lo para casa. E foi naquela esquina em que ouviu as palavras robóticas vindo do seu lado direito “pode d-dar uma ajudinha, por favor?”

Não dá pra explicar se era a cor da sua lataria enferrujada, o fato de ele ser um modelo super ultrapassado, ou dele estar exatamente ali naquela esquina onde só passavam pessoas presas em suas telas ou carros. Não era o seu discurso, pedindo dinheiro em qualquer quantia, ou qualquer outro tipo de ajuda.

Ele estava lá todo o tempo, mas ninguém percebeu.