Demissão

Eles se sentaram, cada um de um lado da mesa.

– Então, chefe…eu estava analisando como estão as coisas, sabe. O meu tempo, a questão do dinheiro também…E resolvi te chamar aqui, na minha sala, para conversar…

– Sim, Rogério, pode falar.

– É o seguinte. A gente tá fazendo uns cortes na questão de gerenciamento de tempo. E isso é porque eu quero preservar minha saúde mental e emocional, mesmo, sabe. A gente sabe que você se esforça muito em sempre me dar mais coisas para fazer aqui na empresa, e tudo…

– Como assim? – o chefe não entendeu direito.

– A gente conversou muito, e chegamos a essa decisão.

– A gente quem? Por que você tá falando na terceira pessoa? E que decisão é essa?!

– Então, eu decidi te demitir – disse, resolutamente

– Não, Rogério. Você não pode fazer isso.

– Podemos sim, e na verdade começamos a dar entrada na papelada. Você começa de aviso prévio na semana que vem.

– O quê?!

O chefe começou a ficar nervoso, batendo na mesa.

– Eu, particularmente, gosto muito de trabalhar aqui, e do serviço que eu presto na empresa. Mas acho que já estou me esgotando, e tá sugando demais o meu tempo, que eu deveria estar passando com a minha família, e com as coisas que eu realmente gosto…

– Não, Rogério. Eu vou correr atrás dos meus direitos. Você não pode me demitir e sair assim. E a falta que você vai fazer na empresa, Rogério?

– Isso tudo a gente já conversou, eu e as coisas aqui dentro da minha cabeça. Agora você sai aqui e passa no RH, tá bom? Obrigado…

– Eu vou procurar um advogado – disse, se levantando.

– Tá, tá bom. Quando sair chama o meu gerente pra mim, fazendo favor…