Reunião de Elite

– Bom, pessoal, fiquem à vontade. Quem quiser café, uma champanhe. Tá tudo aqui em cima.
– Não vamos para a sala de reunião?
– Ah, não. Aqui é a sala de reuniões.
– Está todo mundo aqui, senhor

Ele começou, aumentando a voz.

– Muito bom. Primeiramente gostaria de agradecer a presença de todos aqui. Estamos tentando há anos juntar os maiores bilionários do mundo, e não foi fácil ajustar a agenda de todos para que estivéssemos aqui. E, como todos sabem, nós que controlamos o mundo. Os governos ajudaram alguns de nós, no começo. Nós os ajudamos de volta depois, e agora muitos de nós aqui nesta sala têm mais dinheiro que países inteiros.

Alguém saudou. Outros puxaram um brinde em alguma língua que nem todos entendiam.

– Alguns de vocês ajudaram a mudar a terra. Fisicamente. Acabaram com florestas, mudaram o curso de rios e cachoeiras, fizeram e destruíram represas. Custaram algumas vidas, lógico. Mas se vocês estão aqui, é porque valeu à pena.

Novamente, alguém gritou alguma saudação e, à essa hora o champanhe começava a subir à cabeça. Ele continuou…

– E, eu andei pesquisando…parece que alguma empresa de alguém daqui conseguiu acabar com uma vastas espécie de pássaros do ártico, é isso mesmo?
Um senhor barbudo e de turbante levantou a mão.

– Também um investidor agrícola conseguiu acabar com grande parte das vacas que espalhavam doenças, e substituí-las por outra espécie de vaca num continente inteiro?
– Isso. Ele aqui, ó – apontou um senhor rico para outro senhor rico

– Então…eu gostaria de contar com a colaboração de vocês, que já fizeram o esforço de estarem presentes nessa breve reunião, para fazer um pedido bem…pessoal. – deu uma breve pausa. Tomou um gole da taça que segurava – eu gostaria de extinguir o escorpião.

Alguém cuspiu champanhe em outro alguém que ficou rico fabricando champanhes. Muitos começaram a resmungar e a conversar entre si. Um deles levantou a voz.

– Escorpião, senhor?
– Isso. Escorpião.
– Alguma raça, ou espécie específica?
– Não. Na verdade todos eles.
– Haveria algum motivo específico, senhor? – outro perguntou
– Eu sou bilionário. Não gosto de escorpiões. Simplesmente não aceito viver no mesmo mundo que eles…

– Eu ganho dinheiro extraindo veneno de escorpiões – gritou alguém lá do fundo, e começou um burburinho.

Com medo de perguntar o que ele ganhava extraindo veneno de escorpiões, ou para quem vendia, o dono do evento resolveu retomar as rédeas da situação elevando sua voz, e chamando a atenção de toda a gente da elite.

– Senhores, senhores. Todos nós temos algo pelo qual não gostamos, não é? – muitos balançavam a cabeça – O mundo é nosso. É só decidirmos mudar algo, que conseguimos. É por isso que eu criei esta sociedade aqui. O que deixa vocês indignados? O que vocês gostariam que acabasse nesse instante?

Todos levantaram a mão. Ele foi chamando, um por um, para dizerem quais eram seus desgostos pessoais…
– Eu não gosto de areia no sapato!
– Eu não gosto de carros com trava sem biometria!
– Eu não gosto de declarar imposto de renda!
– Eu não gosto de Movimentos Sem Terra!
– Eu não gosto de pobre!