A próxima grande coisa

Tem esse negócio novo, se chama Livraria. Parece que você pode ir lá e comprar livros. Você paga e o livro é todo seu. Incrível, não é?!

Muito melhor do que aquelas bibliotecas, onde você pega o livro junto com uma rinite, e devolve alguns dias depois. O livro. A rinite continua.

Tem também esse negócio de cinema, que parece uma cópia barata e preguiçosa do teatro. Os atores só precisam trabalhar uma vez. É muito impessoal, muito esquisito. Depois que acaba ficam subindo umas letrinhas que você não entende nada, e todo mundo aplaude pras letrinhas subindo, nada dos atores virem dando as mãos, receberem os aplausos. Negócio muito estranho.

Só não sei se é mais estranho que a TV. duvido que aquele tubo dure muita coisa. Acha?! A família toda ficar parada na frente de um pedaço de plástico e vidro, igual ficavam perto do rádio.

Rádio, sim, era coisa boa. Mas era coisa de preguiçoso também, igual o cinema. O artista agora só precisa fazer uma vez e já tá bom? Passa na rádio, na TV, no cinema. Que isso.

Pra dificultar, agora tem série e saga. Ficou fácil demais fazer um filme só, então bora fazer três. Ou faz um episódio por semana. Aí você, que quer assistir, tem que ir na locadora alugar a fita ou DVD, igual na época da bibliotecas. Assim as coisas voltam a ter um pouco de dificuldade.

Apesar que tem essa coisa, estão chamando de computador. Diz que vai acabar com os arquivos de fichário e as máquinas de escrever. Absurdo. Só me faltam dizer agora que as pessoas não vão precisar se reunir mais em volta de uma mesa pra conversar sobre o texto, o roteiro, a história.

É mesmo, tem o telefone. Não precisa nem visitar parente mais. Você liga pra saber se tá tudo bem. Aí você ouve a voz dele, lá da outra cidade, dizendo se tá tudo bem. É tipo o rádio, só que tem linhas que ligam os telefones. Só que o interurbano é caro…

Só não é mais caro que esse negócio de avião. Parece que a gente é passarinho, agora. Vai ter rodoviária de avião, shopping dentro da rodoviária de avião. Que engraçado. Daqui a pouco vai ter TV dentro do avião, e aí a bizarrice tá completa.

Só não tá mais completa porque não pode usar telefone no avião. E agora tem esses telefones com um monte de teclas, parecendo um mini computador estranho. A tela pequenininha, igual aqueles telefones antigos, que pareciam rádio.

Estão chamando de telefones inteligentes. Alguém achou ainda mais inteligente tirar as teclas. Como é que eu vou usar isso?! É um espelho que liga. Faz chamadas também. Ah tá, você toca no vidro e ele responde. Da pra mandar e-mails também, que é tipo uma carta só que na tela. Agora tem em tamanhos maiores também. Tem de todos os tamanhos, na verdade. E de todas as cores. Alguns tem o preço de um computador.

E o computador cabe na mochila, a livraria cabe na palma da mão. Cabe também uma calculadora, mapa, bússola, a TV, o seriado, a câmera fotográfica, filmadora, o jornal, o supermercado, a máquina de escrever, o rádio, o toca discos…tudo isso conectado nisso que eles estão chamando de Rede Mundial de Computadores, que parece que veio mesmo pra ficar.