Náufrago, mas não sozinho

Então ele abriu os olhos, e olhou em volta calmamente. Demorou aperceber que estava na situação que tinha visto muitos personagens em filmes e livros que amava: Ele era um náufrago

Logo pela manhã, enquanto caminhava pela praia, se lembrando das coisas que deveria saber neste caso – não beber água do mar, não comer qualquer coisa que aparecer na frente, cuidado com babuínos e ursos polares da floresta, por exemplo – e procurava algo para ser seu café da manhã, pensou numa possibilidade infalível.

Já vivenciou situações constrangedoras em toda a sua vida como empregado, e depois como sócio, dono e até como turista em outros países. Já sabia o que fazer.

Adentrou a floresta em busca de feijões. Qualquer feijão. No caminho, achou algumas frutas, tentou balançar um coqueiro, atirou pedras em galhos altos para caírem frutos que nunca tinha visto no mercado.

Comeu outras coisas que nunca tinha pensado em comer na vida, e nem sabia se tinham nome. Lembrava do que via nos filmes e livros. Tinha que fazer uma fogueira, uma cabana para se proteger das chuvas, uma lança para se proteger de animais. Mas ele só precisava de um feijão.

Depois de dar voltas dentro da floresta, e quase completar uma volta na ilha, chegou à terrível conclusão de que estava sozinho. A loucura chegaria à sua mente em algumas semanas. Ele precisava se virar com as coisas que o universo lhe dava. E o Universo, ele é infalível.

Achou feijões.

Os comeu. Do jeito que estavam, crus. Fariam efeito mais rápido.

Esperou alguns minutos sentado na areia da praia. Seu estômago agiu como se estivesse colaborando com seu plano.

Peidou.

Exatamente dois segundos depois:

– Marcos! Você por aqui!