Querer

Não, querer nunca foi poder.

Apesar de querer, em si, ser um poder quase que exclusivamente humano. Todos os outros animaizinhos neste planeta de Deus não querem (ou, como diria nossos avós, não almejam).

Entende o que eu tô dizendo? Exite, sim, um grande campo de coisas que necessitamos.

Necessidade
substantivo feminino
1.
qualidade do que é necessário.
2.
o que não se pode evitar; inevitável.

Eu minto. Na verdade, o campo de coisas que necessitamos é bem pequeno. Muito pequeno mesmo. “Precisamos comer, dormir e expelir excrementos”, segundo Sheldon. O resto – grande resto – é querer.

E o seu cachorrinho não quer nada. Talvez ele queira a comida que você está comendo, e fica no seu pé chorando e latindo. Mas ele necessita de comida. Seu doguinho não vai no pet shop ver as lindas coleiras que ele pode comprar. Não fica no Facebook procurando ofertas de blusinha.

No final das contas, querer é, sim, um poder. É um poder que nos mantém vivos, de certa forma. Nos faz estabelecer metas e prazos. Nos fez constituir um grande esquema de crédito que nos permite querer coisas que não temos poder de compra para, talvez, nosso Eu do futuro e dos próximos futuros, pagar.

Os outros bichinhos na floresta precisam comer. Eles caçam e colhem frutinhas. Comem mato e folhas das árvores. Nós plantamos esperando crescer. Ou criamos esperando que outros animaizinhos se reproduzam para, por fim, comê-los. Mais ainda, nós usamos todo o tipo de coisas que as plantas e bichos podem nos dar. Queremos milk shake, tênis da Nike, camisetas da Hering e Big Mac.

Queremos o celular mais novo e o carro mais bonito. Queremos um papel que chamamos de dinheiro. Queremos o melhor estilo de vida e tantos mil seguidores no Instagram.

Queremos mas, infelizmente, meu filho, querer não é poder.

Na volta a gente compra.