Eu queria ajudar

Este post é uma continuação de Moça na frente do banco

Primeiro eu me senti intimidado. Isso porque é o sentimento comum que se espera sentir quando, inesperadamente, alguém te para na porta do Banco. Depois, me senti compelido a ajudar, mas não tinha dinheiro disponível. Não tinha mesmo.

Ela argumentou que, se eu precisasse trocar dinheiro, a lanchonete do outro lado da rua trocaria, pois o dono era seu amigo.

Eu disse “volto em uns 10 minutos”. Mas ela disse que morava longe da cidade, e dali 10 minutos não estaria mais ali. Então eu saí.

O que me deu mais tempo para pensar sobre aquela situação toda. Primeiro o triste fato de uma criança ter leucemia e ser privada da vida. Isso é realmente muito triste, e eu poderia escrever um blog só para dizer o quanto isso é triste.

É claro, eu também pensei na possibilidade de não ser verdade. Isso porque, imagino eu, a grande maioria das coisas que as pessoas dizem depois de te parar na porta dos bancos não são verdade. Especialmente se isso envolve sair dinheiro do seu bolso e entrar dinheiro no bolso delas.

Mas, com base no que eu disse aqui anteriormente, existe uma arte de contar histórias. Algo que envolve a escolha de palavras e entonação certas para, se possível, comover a pessoa que está ouvindo a histórias mantê-la presa à narrativa. O objetivo da moça aqui em questão era não só me comover, como também me motivar a tirar dinheiro do meu bolso – o que, diga-se de passagem, é algo muito difícil de se fazer.

Argumentei comigo mesmo se a história do sobrinho era real ou não. Concluí que, se a história não fosse real, seria necessário que ela aumentasse ou destacasse alguns fatos, usando-se da arte de contar histórias, para, na lábia e poder do carisma, me convencer.

Não era golpe. Ela tinha a voz e ânimo de quem passou a madrugada cuidando de uma criança com leucemia.

A vida nem sempre é tão lúdica.

Eu voltei dez minutos depois, e ela não estava lá. Eu queria ajudar. Moça, espero mesmo que seu sobrinho esteja bem, e consiga o leite e a vida que precisa e merece.

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