Posto do Bairro

– Atenção, todo mundo quietinho, isso aqui é um assalto! Mãos pro alto, madame! Todo mundo no chão! Ué…
– O que que tá acontecendo aqui?
– Ih, olha lá, Maico. Já tava todo mundo no chão.
– Não entendi nada, Fei.

A balconista apontou para o depósito dos fundos. De lá saíam dois rapazes encapuzados
– O que vocês tão fazendo aqui? Pode sair, pode sair
Fei apontou a arma pro rapaz. O rapaz apontou a arma pra eles.
– É o Maico? – Gritou um dos rapazes
– É o Maico sim, Magrelo. Olha ali a tatoo do Timão na perna. – apontou com a arma para a perna do Maico.
– Magrelo?
– Sou eu, pô
– É nada
– Olha aqui, cara – e levantou o capuz até aparecer um bigode fininho.
– Aaah, fala cumpade!

Os dois se abraçaram com as armas nas mãos. Houve algum grito na conveniência daquele posto.

– Feijão, tu deixa a gente numa situação complicada aqui, mermão.
– A gente já tava trabalhando, cara. Chegamos primeiro – disse o parceiro do Magrelo.
– Não dá pra dividir, magrão? Pô, olha as caminhonete desses cumpadi. Os relógios de quinhentas pila aqui.
– Dividir em quatro não dá, não, Feijão – disse o Maico.

O embate durou alguns minutos. Magrelo levantou uma questão importante na discussão.

– Feijão, eu tô ligado que cê tá na condicional. Tu ficou quatro anos fora. Não queria que tu voltasse pra essa vida, não, mermão. – depois de uma breve pausa – vou ter que chamar a polícia pra tu.
– Não, Magrão. Não faz isso comigo não. Tu conhece minha filha. Sabe que eu tenho que levar comida pra casa. Não faz isso comig…
– Só se a gente ligar pro Marcão.
– Marcão que tá liderando agora?
– Ele mesmo.

Silêncio.

– Pô, vou só encher o tanque da moto então.
– Fechou – disse o Magrelo
– Bora lá, Maico. Essa aqui não deu, não. Vamo pra próxima.
E o assalto daquele posto seguiu sem mais complicações.

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