Longe da Terra

– Capitão, recebemos um sinal! – Foi mais ou menos o que quis dizer aquela forma de vida estranhíssima para outra forma de vida igualmente estranha.

O que atendia por capitão se aproximou. Parecia estar atento ao que seu subordinado, se é que essa era a forma dessa espécie estar atenta.

– Que tipo de sinal recebemos?
– Um sinal de Rádio
– Rádio?
– É, uma tecnologia nova em que estamos trabalhando. Olha aqui – e mostrou um mapa da galáxia, e de onde provavelmente o sinal de rádio vinha.
– Interessante – disse o capitão
– Estamos recebendo esse sinal há dias, mas acabamos de decodificá-lo – acrescentou, puxando das tralhas embaixo da mesa uma caixa de som. – Vou tocar para o senhor ouvir.

E ligou os fios, mexeu em uns programas no computador. A caixa começou a tocar Johnny B. Goode.
– tchi, tchi, tchhhhhh, tchiiii…

Pausou o som.

Depois de um breve silêncio.

– É…É estranho, né
– É sim, capitão. Mas acreditamos ser uma mensagem de alguma civilização distante. Podemos fazer pesquisas e descobrir o que querem dizer, e finalm…
Foi interrompido por uma longa risada do capitão. Se é que isso pode ser considerado uma risada.
– Continue fazendo seu trabalho, garoto. Somos só nossa espécie no universo.

E saiu

Meses depois, aquele mesmo planeta foi atingido pela Voyager 1. A maior cidade daquela espécie, e daquela civilização, perdeu grande parte dos seres vivos que moravam sobre a superfície. Acharam isso uma afronta, e vieram à guerra contra o planeta Terra.

Quando chegaram aqui constataram que, há um bom tempo, estavam mesmo sozinhos no universo.

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