Resolvemos as coisas

Caro amigo extraterrestre!

As coisas tem ficado cada vez mais complicadas por aqui. Por isso não tenho escrito tanto para você. Espero que as coisas estejam bem aí em cima.

Eu sei que você não está precisamente “em cima”, e essas coisas são difíceis de definir em um universo tão vasto. Mas imagino que, de onde você está, consegue observar muito bem toda a raça humana.

Pode não parecer olhando daí, mas nós estamos bem crescidinhos. Eu digo isso porque, há muito tempo atrás, nós descobrimos o fogo. A partir daí começamos a resolver tudo à base do fogo. Se nosso coleguinha não nos desse o que queríamos, a gente queimava a cabana com o coleguinha dentro. É bárbaro, eu sei. O pior é que a história se repetiu quando começamos a fundir o ferro e quando descobrimos a pólvora. Acontece que fomos melhorando como raça e espécie. Nossos meios de machucar os outros foram evoluindo junto com nossos meios de expressar nossas vontades.

Por exemplo, se você é um humano, e quer melhores condições de trabalho, você pode pedir por isso. E é melhor você fazer isso junto com todos os outros que desempenham o mesmo trabalho que você. De repente você pode combinar de todo mundo não ir trabalhar, ou até queimar uns pneus na rodovia. Pronto. Quase ninguém sai machucado.
Paralelo a todo esse movimento social e linguístico, foram desenvolvidas leis baseadas em uma constituição, que garante o direito da maioria dos seres humanos.

Hoje em dia dificilmente alguém vai querer resolver um assunto tacando fogo ou chumbo em alguém. Você corre o risco de ficar preso os próximos meses da sua vida e, pior, antes disso será condenado a longas horas dentro de uma sala com pessoas de terno e um senhor ou senhora de capa e peruca, falando coisas que você nunca ia entender.

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