Sala de Espera

O ser humano, em sua natureza, não está acostumado a novos ambientes. No começo, a barriga da mãe estava super legal, e ninguém precisava tirar ninguém lá de dentro. O choro do bebê é, com certeza, um protesto a essa repentina mudança de ambiente. É claro, existe todo aquele negócio de respirar, que é muito complicado. Isso sem falar na mudança de pressão e temperatura de dentro da barriga da mãe para sala fria e branca do hospital.

A partir daí, caro leitor, é só observação. A gente, desde muito pequeno, entende que precisamos nos adequar aos ambientes, com a completa certeza de que, se formos notados, o ambiente nos engolirá vivos.

Então começamos a observar nossos pais falando e conversando, e imitamos. Observamos como eles andam, e tentamos andar também. A vida se torna um único e extenso processo social de observação e imitação até que não exista mais nada para imitar. O que é muito complicado, afinal as pessoas a quem imitamos já imitaram alguém. Essas pessoas imitaram outras pessoas também. Existiu alguém que não tinha referências para imitar.

O ápice deste experimento de sobrevivência social é a sala de espera de qualquer consultório. Você chega, e todos olham para você. Você precisa fazer alguma coisa e sobreviver, senão logo aqueles olhos vão começar a te engolir. Para isso que existe a recepcionista. Ela está pronta para receber os novos visitantes àquele ambiente, e adequá-los às novas condições. Documento, triagem, “sente-se e aguarde ser chamado”.

Obrigado, moça.

Agora preciso escolher uma cadeira não muito perto nem muito longe de alguém, e fingir que sempre fui daqui. Logo chega mais alguém, e eu não vou ser mais o novato.

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