A vida da sopa

De repente, o Universo existiu. Bom, na verdade quase que de repente. Todos sabemos quem foi o grande criador dessa mistura maravilhosa que escorreu pelo prato do João, tomando levemente as bordas e o centro, fazendo um pequeno arco numa fração de segundos e Booooom!

Não, não houve explosão. Houve uma mistura de coisas, mesmo. A Vó do João era muito boa nesse negócio de fazer sopa. Era uma ciência que ela dominava com perfeição e destreza, de forma que poderia muito bem fazer uma sopa com os olhos fechados, se estivesse na sua cozinha. O melhor de tudo é que ela não sabia disso. Ela só sabia que a sopa faria seu neto se sentir melhor.

Dona Maria, ao escolher condimentos e prepará-los, cozinhar na ordem certa os legumes e milhões e milhões de moléculas de água misturada com muitos outros temperos e aromas, sabores, pedacinhos de carne, cenoura, huuuum…

Ao deixar esfriar no prato do João, voltamos ao começo do texto. Não foi assim tão de repente. Precisou João se sentir mal, a mãe dele ir trabalhar, ele ficar na casa da vó e pimba. Sopa da Vó Maria. Um universo.

“De repente” é força de expressão. “Um Universo”, não.

Em milifrações de segundos a mistura em contato com o prato vermelho preferido de João tornou possível a vida em uma forma que nenhum microscópio seria capaz de examinar. A vida tomou forma, constituiu família, fez cidades e desenvolveu meios de relacionamento e trocas. Logo a vida da sopa de Dona Maria começaria a questionar sua própria existência meio a sofrimento e dor, e viriam os mini filósofos e micro cientistas pesquisarem…nada

João parou de jogar videogame, comeu a sopa em poucas colheradas e ainda pediu para a vó colocar mais.

A vida é boa. A sopa da Vó Maria, huuuuummmm…