Palavras virão

“É só escrever as primeiras palavras, que as outras virão” eu escrevi uma vez, numa folha de caderno. Até hoje estas palavras estão lá, escritas à caneta por um jovem pedro que acreditava ser escritor de alguma coisa.

Se você acredita ser um escritor, hoje em dia pode muito bem abrir um blog e ser um. Se você escreve coisas, tem muito mais chances de ser um escritor do que muitos que acreditam ser escritores e não escrevem nada.

Mas este texto não é sobre isso, caro leitor. O que eu quero dizer é: As palavras estão até hoje naquela folha de caderno. Somente aquelas palavras. Outras não vieram.

Me sinto um péssimo anfitrião. Eu preparei uma super festa para as palavras. Escolhi as canetas que usaria, separei uma folha em branco em que poderia discorrer sobre ideias, transcrever conceitos, e nada. As palavras não vieram.

Esse lance de escrever crônica é um negócio complicado. São cerca de trezentas palavras que escrevo para, toda terça e quinta-feira de manhã, te prender nesta página por pelo menos dois minutos. Você lê, como está fazendo agora. Dá aquela risada pouca e continua seu dia. Crônica é isso.

Segundo o Antônio Prata, cronista de primeira lá do jornal A Folha, a crônica é uma lupa que a gente bota num negócio pequenininho, pra enxergar um negócio mais pequenininho ainda. A crônica é uma lupa no cotidiano. É isso o que sai aqui todas as terças-feiras. Eu me aproximo das coisas e escrevo. Você se aproxima de mim enquanto lê. Sem constrangimento.

Não é só um tapa buraco de jornal. Mas um tapa buraco do tempo, mesmo.

No futuro eu vou me lembrar da noite fria de Junho em que me deparei com o fato de não ter texto pro dia seguinte no blog. Parei, sentei em frente ao notebook e escrevi sobre o simples ato de escrever, silenciando a notificação do WordPress, que dizia “Você não escreveu nada!”. Toma, bobo. Escrevi sim.