Marcha Pelo Suicídio

No começo foi difícil os suicidas se juntarem pela sua causa, afinal eles não viam muitos motivos para se juntar a causa nenhuma. Todos os desejos e anseios humanos estavam muito bem satisfeitos. As maiores questões da vida davam trabalho demais para serem respondidas e, lá no fundo, ninguém parecia fazer questão de solucioná-las.

Logo os humanos entenderam que a vida não vinha pronta, e muitos, se vendo de frente com essa questão dificílima que é viver, acabavam por desistir de tudo. Geralmente na adolescência começam a brotar questionamentos de ‘o que estou fazendo aqui?’ e poucos realmente descobriram a razão de sua existência e continuaram sãos.

Não critiquemos esse modo quase sóbrio de ver as coisas. Até porque, não se viu, durante a história humana, muitos protestos públicos contra o niilismo. Quando citada uma forma de filosofia e crença de que a vida não vale a pena, sempre a reação beira o “é…você está quase certo, não vale mesmo”.

Antes que a palavra suicídio fique gasta neste texto, entenda, os suicidas participantes e apoiadores deste movimento não tinham se suicidado, propriamente, até então. Muitos alegavam não tê-lo feito ainda, por medo de como seu nome seria perpetuado na família e na sociedade, o que, todos sabemos, afeta a consciência de todo suicida leve. Eram, em sua maioria, pensadores da vida e contempladores da sociedade que acabavam por se decepcionar com a forma de vida humana.

É por isso que alguns suicidas não tão radicais criaram movimentos a favor da legalização do suicídio. A sociedade já estava ultra avançada, e esse conceito precisava ser revisto. A Marcha Pelo Suicídio aconteceu em muitas capitais por todo o mundo e, por incrível que pareça, não envolveu o suicídio em massa. Mas, sim, um movimento para que a sociedade como um todo aceite a decisão do suicida de, por fim, se suicidar.