Ideia nenhuma na cabeça

Quando eu saí de casa, hoje de manhã, eu tinha certeza: Não havia ideia nenhuma na minha cabeça. Eu estava apenas assobiando alguma música que ouvi na rua, de algum carro que passou com o som muito alto. Eu até cheguei a começar a pensar em como a vida devia ser triste para aquele cara, que andava num golzinho com o som nas maiores alturas, e os parafusos tremendo. Prestes a desmontar. Tanto o golzinho quanto a vida dele, que precisava de um som mais alto que poderia ouvir pra abafar seus pensamentos enquanto, muito provavelmente, dirigia a esmo pela cidade. Não deixei me abalar diante dessa cena pitorescamente triste.

Continuei andando para o serviço.

Meu objetivo não era ter uma ideia ali, no meio da rua, sem nenhum papel ou caneta disponível. Mas a ideia persegue. Parece que elas estão sempre aqui esperando os momentos mais inoportunos para brotarem na minha cabeça. Tudo bem. Continuei caminhando.

Logo uma voz começou a surgir na minha cabeça, junto com qualquer pensamento. Como num documentário da vida selvagem da mente do Pedro. Eu vi um cachorro na rua e comecei a pensar “poderia fazer um texto sobre esse cachorro”. O Wendel Bezerra começa a narrar na minha cabeça tudo o que eu penso até o texto ficar pronto.

Agora é só esperar, que quinta-feira que vem ele sai no Coisas…