A Questão da Autoestima

Um dos maiores problemas com viagem no tempo não tem nada a ver com física quântica, buracos negros ou universos paralelos. Tem muito mais a ver com auto-estima.
É claro, ainda existe o grande problema de, eventualmente, você voltar no tempo e acabar sendo o pai do seu bisavô, e esses problemas estão sendo estudados por físicos e cientistas há décadas.

A questão da autoestima está diretamente ligada ao fato de esperarmos muito do nosso “eu” do futuro, e termos uma terrível aversão ao nosso “eu” do passado. Isso não acontece em todos os casos, claro. Mas se você pudesse viajar no tempo, provavelmente acabaria criando confusão com algum “você” do passado, do presente ou, muito provavelmente, do futuro.

A grande pesquisa realizada pelas principais agências de viagem no tempo – que foi divulgada semana passada, mas pode ter sido feita neste mês, ou daqui 300 anos, e nunca saberemos – concluíram que apenas 7% dos candidatos voltariam no tempo para resolver alguma grande questão política, como a Última Grande Guerra, a Batalha de Divisão, ou a Revolução das Máquinas. E, desses 7%, apenas metade saberia como resolver a situação.

30% dos candidatos voltaria no tempo para resolver questões familiares, incluindo a opção de ‘fazer o seu eu do passado não conhecer aquele cretino‘. 20% dos candidatos voltariam no tempo para falar para seu ‘eu‘ do passado mudar alguma outra grande decisão na vida como, por exemplo, abrir ou não aquela franquia de lanchonetes.

40% dos entrevistados viajariam para o futuro para comprar uma revista de apostas, para voltarem para o presente e se tornarem milionários pela “sorte”. Típico.

3% dos entrevistados viajariam para o futuro, para se entrevistar, e saber quais foram seus arrependimentos, para voltarem e acabar por cometerem os mesmos erros.

É difícil lidar com seres humanos, eu sei. Eles são tão pouco altruístas, e isso tornaria a viagem no tempo realmente uma bagunça, com todas as linhas temporais.

É por isso que a Lei sobre Viagem no Tempo inclui a cláusula “Viagens no tempo só são permitidas no intervalo de 48h, para o passado ou futuro”. Viagens mais longas que essa alterariam o próprio tempo, e desencadeariam o fim do universo antes dele mesmo começar a existir.

É por isso que esse tipo de viagem faz muito mais sucesso hoje entre os publicitários, que tendem a procrastinar o máximo possível para entregar aquele projeto na data, acabam por cair na balada justamente na noite anterior e, quando deveriam estar tendo uma reunião com seu cliente, estão nos EspaçoPortos, comprando sua passagem para ontem.

Como resultado, todos os prazos começaram a ser respeitados, e ninguém mais passaria mal com aquela comida estragada da noite passada. No final, quase sempre compensa o estrago.