Uma situação daquelas

– Oi, boa noite – Disse eu. E, instantaneamente, se instaurou aquele desconforto típico que acontece quando alguém tenta, no meio da madrugada, invadir e roubar sua casa, entrando pela janela.
Tinha sido um dia daqueles. E o ladrãozinho, com certeza, não contava com minha insônia. Tampouco esperava ter alguém sentado numa poltrona, no escuro da sala de estar.
Ele ficou realmente desconfortável, e desconcertado. Eu entendo, deve ser uma situação difícil de se lidar. Ele não sabia se me respondia, ou não. E aqui estávamos nós num contexto onde não havia prerrogativas de protocolo social.

– …

Depois uma expressão facial de embasbacado, e uma expressão corporal de “não sei o que fazer”.

Fez o que pareceu mais sensato fazer, que foi pular a janela de volta, como se nada tivesse acontecido. E eu voltei a pensar em qualquer coisa que estava pensando antes.
Não teve polícia, nem assalto aquela noite porque, afinal, já tinha sido um dia daqueles…