Educação Financeira

Das coisas mais delicadas e sensíveis em toda a atividade humana, o meio financeiro é o maior tabu que existe desde que o mundo é mundo.

É claro, a escola não ensina educação financeira, do tipo “faça uma tabela com seus lucros, e depois seus gastos, e descubra o quanto a ser um adulto é chato”. Deveria, mas, não. Não é isso. Isso a vida te ensina com tapas na cara e boletos na porta.
A educação financeira que quero dizer vai ainda mais além das contas e cifras. É da relação humana. É, antes da escola, a educação que deveria vir de casa, e não vem.

Estou falando daquele mal estar que existe quando tem dinheiro envolvido na situação, e todos ao redor percebem o clima estranho de “o que é que ele está falando?”, muito bem vivenciado neste texto até aqui.

O quão educados e polidos será que devemos ser quando o assunto é dinheiro?

Estou falando de quando seu chefe chega para você e diz que você acaba de receber um aumento. O que fazer? Você agradece? Mas é fruto do seu próprio serviço. Se agradecer vai parecer forçado? Por que, então, é tão difícil pedir um aumento? Muitas dúvidas surgem aqui…

Aquela nota de 100 na sua carteira, e você morrendo de vontade de comer uma paçoca. Precisa se sentir culpado de pedir pro seu Severino trocar R$0,25 em R$100? O Severino do meu bairro, que tem o apelido de Bicudo, olhou a nota por cima dos óculos, apontou pro seu colega e disse “é a quinta nota dessas que me aparece hoje” e eu não sei se isso é bom. Me ajuda, Bicudo!

Entende o que estou dizendo, caro leitor?

Eu até entendo como algumas organizações criminosas adotaram métodos de cobrança invasivos e torturadores, como que num catarse para toda essa convenção social de cobrança financeira. É muito mais fácil cortar um dedo do devedor, do que falar “cara… aquela pizza…você não vai me pagar, não?” sem parecer um completo idiota.

Alguém, por favor, me explica como dividir a conta do restaurante sem parecer que estou constrangendo alguém ou, ao menos, sem parecer que estamos escondendo um corpo no porta-malas? Porque muito me parece o seguinte: a conversa na mesa se alonga muito mais depois de todos terem acabado de comer. Mais até do que o necessário. Como se estivessem adiando, na parte mais interna da consciência coletiva da mesa, o momento de passar cartões e notas por cima do balcão da saída.

Gloria Kalil, me ajuda!

Existe, em algum lugar dessa sociedade capitalista ocidental, um manual de etiqueta financeira próprio para todas as ocasiõezinhas semi-constrangedoras que nosso sistema monetário nos proporciona? Aguardo uma resposta.

grato.