Querida Máquina

– Querida máquina. Eu não sei muito bem o que está acontecendo…mas não estou mais conseguindo escrever como fazia…
– Tec tec tiiiiiin tec tec.
– Eu sei, eu ainda faço uma coisa ou outra, mas sinto que não é a mesma coisa, sabe?
– Tec tec.
– É..que bom que não é a mesma coisa. Mas eu também não tô conseguindo fazer coisas novas.
– Tec tec tec tec.
– Sim, pode ser mesmo falta de tempo. Não sei. Faz tempo que a gente não conversa, né?
– Tec.
– E se Leminski tiver certo? E se eu não conseguir escrever depois dos vinte e dois, vinte e cinco.
– Tec tec tec tec tec.
– Eu sei eu sei. Mas eu penso nisso. Será que eu não sou um escritor de verdade?

– Tec.
– Verdade. Ninguém é.
– Tec tec.
– Sim. Eu tento.
– Teec.
– Uhum, isso que é o importante.
– Tec tec tec.
– E eu vou continuar, mesmo sem saber o que estou fazendo.
– Tec tec…tiiiiiiiiin!