Beto conhece Clara

Essa simples ideia, que nasceu na minha cabeça enquanto eu usava o banheiro da casa da minha irmã, se tornou um livro quatro anos depois. Eu sabia exatamente como começar:

O centro de São Paulo é sempre cheio. Carros, pessoas e muita gente. Ali acabamos por reparar alguns tipos. Era onde Beto estava e, por um segundo, deixou-se estar. Na avenida passavam um ônibus, um táxi e um Corsa prata e, nesse conciso intervalo, Clara.

Pronto.

Já teria um cenário e o nome dos personagens, o que era um grande avanço (já que sou terrível para inventar cenários e nomes de personagens, e tal).
Eu só não sabia o que seria dali pra frente. O primeiro ano foi cheio de primeiros capítulos. Eu apagava, excluía, começava de novo a partir da primeira cena. Tentei começar de antes, como num prólogo. Também não funcionou. Depois de uns oito meses, consegui o primeiro capítulo definitivo – decidi ser diferentão, e chamar os capítulos de episódios, descobrindo depois não ser tão diferentão assim.
Os dois anos que se seguiram foram longos processos de escrever, apagar e reescrever até ficar bom. Bom não. Minimamente aceitável.
Descobri que escrevo melhor de madrugada. Numa boa parte do ano eu dormia de dia, e acordava de madrugada para escrever. Até que cheguei nos finalmentes…
O último episódio levou mais tempo para ser escrito pela magnitude que tudo estava tomando na minha cabeça. Não foi tão magnânimo assim. Eu terminei, passei dois meses editando, e alguns dias revisando e, por fim, publiquei aqui no blog. É isso.
Eu fiz um livro.

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