Déficit de Sincronização Temporal

Carlos foi diagnosticado com uma doença rara. Ele tinha déficit de sincronização temporal. Mais conhecido como Delay (já que o déficit não poderia ser abreviado com suas iniciais). Quem conhece Carlos já nota, antecipadamente, sua doença por reparar um pequeno delay na sua resposta. “Olá, Carlos” elas fazem, estendendo a mão e, depois de poucos segundos, Carlos estende a mão e responde “Olá!”. Provavelmente ele vai soltar sua mão depois de alguns segundos desconfortáveis pra você, mas não para ele. Mas Carlos está vivendo no seu tempo. Sua doença rara já foi diagnosticada em mais de quinhentas pessoas somente no último ano, e se tornou famosa depois do caso da francesa Marie Gaulet, que tentou entrar num trem depois dele ter partido, e acabou morrendo.
“É difícil explicar quais os efeitos da doença” diz o médico especializado, Mário Beltran. “As pessoas não estão habituadas a esse tipo de déficit, e é difícil diagnosticar até que o delay aumente. Os portadores de Déficit de Sincronização Temporal têm um pequeno atraso no tempo normal do Universo, podendo possuir de 5 até 30 segundos de atraso de todo o mundo. Cada vez mais tem aparecidos casos dessa doença, inclusive pacientes com adiantamento temporal. E para pessoas assim devem ser tomados cuidados extras, para não sofrerem danos fatais” ele conclui.
Infelizmente a doença ainda não tem cura, e tem sido estudada por médicos e matemáticos teóricos. Enquanto isso, seu Carlos continua confiando no seu melhor amigo, o relógio de pulso.