Carol, esse é pra você

Carol tem sete anos, e não quer ficar brincando com Maria enquanto adultos cuidam de coisas do casamento do pai dela.

Primeiro, Carol, você não tem o que reclamar. Amanhã você vai fazer algo que era impossível até pouco tempo atrás: Ir ao casamento do seu pai. Máquinas do tempo ou fotografias e filmagens em VHS eram os únicos meios de os filhos estarem presentes no casamento dos pais ou, nesse caso, de um dos pais. Não é tecnologia, Carol. São as modernidades da vida. Eu mesmo, não pude estar no casamento dos meus pais. Cheguei trinta anos atrasado. Tudo o que sei são pelas quatro ou cinco fotos grudadas numa moldura na parede. Fotos borradas, década de oitenta…

Sua nova mãe nunca ficou grávida, e vai ser sua mãe de segunda à sexta. Amanhã você vai ter um dia de princesa, e vai entrar com o papai no casamento dele. Vai entregar ele pra sua nova mãe, e depois a gente deixa você pegar o bolo da festa primeiro que todo mundo.

Você não tem do que reclamar, Carol. Fica brincando com Maria, que ela é da sua idade. Vocês vão no parquinho. Compram salgadinho. Lá onde o pai vai só tem adulto, fazendo coisa de adulto. Uma chatice só. Casamento não é coisa de criança, e o pai vai casar só mais essa vez…