Não era amor

Nos dois meses que se passaram eles se amaram incondicionalmente. “Que dure o tempo que durar” dizia ele sendo óbvio, ao que ela respondia “que seja eterno enquanto dure”. Ela falava em casar na igreja, em ter um labrador, dois filhos e uma casa no Guarujá. Ele, otimista, não falava nada. Fazendo planos para eternidade era como conseguiam ser eternos. Mas com um lema desses conseguiram o que conseguiram. Dois meses de amor e uma dor de cabeça infernal.

Que dure o tempo que durar, e durou. No orkut um depoimento, quinze fotos no espelho, quatro do presente de uma semana, duas da cesta de chocolate de um mês, uma foto no shopping e uma sozinha, de cabelo de outra cor, com legenda “sou mais feliz sozinha” ou “não preciso de ninguém pra ser feliz”. Depois até frequentou outras baladas, conheceu gente nova e foi feliz do jeito que dava mas, enquanto durava, durou. Foi bom, não foi? ela pensava e, pensando, dizia que foi.

Ele não postou mais nada. Excluiu depoimento, mudou status e foto de perfil. Que seja eterno enquanto dure, e era. Aguentar a moça era eternidade. Esse negócio de amar dá um trabalho, mas aproveitou cada segundo, como se fosse receber salário. No final das contas voltou pro videogame e os colegas do bar. Gastou dois meses da sua vida e, vivendo, pensou que foi bom. Pensando, chegou à conclusão que, se tivesse pensado antes, não teria amado ninguém. Já que não pensou, acabou sentindo e amou. Foi eterno enquanto foi, mas já foi. ‘Será que era amor?‘ No bar ou na balada perguntam, eles respondem “Só sei que já passou…”